Crônicas, Impressões

Polêmica das Copas

quarta-feira, 9 de junho de 2010 Texto de

Por que às vés­pe­ras de to­das as Co­pas o tor­ce­dor bra­si­leiro “briga” com o téc­nico da se­le­ção em de­fesa de um (ou mais) jo­ga­dor que está co­mendo a bola? A his­tó­ria é rica quando res­gata as po­lê­mi­cas desse ve­lho em­bate.

Nesse caso, a bola da vez foi o Ney­mar. Tam­bém pe­di­ram o Ganso. Eles são os su­ces­so­res de Ro­má­rio (não con­vo­cado por Fe­li­pão em 2002), Neto (dei­xado de fora por La­za­roni em 1990) e de uma lista ra­zoá­vel de cra­ques con­si­de­ra­dos in­jus­ti­ça­dos.

Mas a res­posta é sim­ples. Essa di­ver­gên­cia ocorre por­que ao tor­ce­dor não basta ven­cer. Ele quer ver es­pe­tá­culo. E ao trei­na­dor (fora um ou ou­tro), basta ven­cer, in­de­pen­den­te­mente do es­pe­tá­culo.

Por exem­plo: foi ótimo ter sido te­tra em 1994. Mas quer jo­gos mais cha­tos que aque­les (salvando-se o Bra­sil 3 x 2 Ho­landa)? Foi uma con­quista que ti­rou o Bra­sil de uma in­di­gesta fila de 24 anos, é ver­dade. Mas o fu­te­bol foi desse ta­ma­ni­nho!

Já quem viu a se­le­ção de 82, por exem­plo, não tem do que re­cla­mar quanto ao es­pe­tá­culo. Era um show atrás do ou­tro, até que veio a Itá­lia, com aquele fu­te­bol prag­má­tico, e bo­tou tudo por água abaixo. 

Dunga está mais para 1994 do que para 1982, claro. O tor­ce­dor gos­ta­ria de po­der so­mar as duas (con­quista + es­pe­tá­culo), como foi em 70. Mas isso quase sem­pre é im­pos­sí­vel. A his­tó­ria das Co­pas está aí para pro­var. Quase sem­pre o fu­te­bol bo­nito é cas­ti­gado.

Como não gosto de fi­car em cima do muro, pre­firo o fu­te­bol bo­nito e a pos­si­bi­li­dade de uma con­quista com­pleta, que in­clui o es­pe­tá­culo, mesmo que em ra­zão disso au­men­tem os ris­cos de uma der­ro­cada. As der­ro­tas tam­bém são ca­pa­zes de nos fa­zer me­lho­res.

Compartilhe