Impressões

Padre Cícero

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010 Texto de

Li no fim de 2009 “Pa­dre Cí­cero” (Com­pa­nhia das Le­tras), bi­o­gra­fia as­si­nada por Lira Neto, o mesmo que es­cre­veu a de Maysa. É ex­tra­or­di­ná­rio co­nhe­cer em de­ta­lhes a his­tó­ria de um dos mai­o­res mi­tos bra­si­lei­ros: Cí­cero Ro­mão Ba­tista, nas­cido no Crato (CE), em 1844. Pa­dre ex­co­mun­gado pela Igreja, acu­sado de fa­na­tismo, ho­mem de mui­tas pos­ses, e ado­rado por mul­ti­dões.

O li­vro, que traz como sub­tí­tulo “Po­der, fé e guerra no ser­tão”, é cons­truído ba­si­ca­mente so­bre car­tas e do­cu­men­tos pes­qui­sa­dos por Lira Neto no ser­tão ce­a­rense, di­o­ce­ses e bis­pa­dos. Sem dú­vida vale a pena, mas não es­pe­rem ne­nhuma nar­ra­tiva tipo Ruy Cas­tro, Fer­nando Mo­rais. Lira Neto é mais du­rão; o texto, muito bom por si­nal, avança sem ginga, mas chega lá. 

Lira Neto não pa­rece se pren­der a qual­quer fór­mula es­pe­cí­fica para con­quis­tar o lei­tor. Ele o con­quista pela cru­eza, as­sim como são as coi­sas no ser­tão. Mas isso não o im­pede de dar uma ro­man­ce­ada em mui­tas pas­sa­gens. Aliás, como não fazê-lo? Não há para en­tre­vis­tar mais quase nin­guém que de al­gum modo te­nha li­ga­ção di­reta com aque­les fa­tos in­crí­veis que ti­ve­ram iní­cio há quase dois sé­cu­los. In­crí­vel tam­bém é o tra­ba­lho de Lira Neto na re­cons­tru­ção de mais um ca­pí­tulo da vida bra­si­leira ig­no­rado, em sua ri­queza de de­ta­lhes, pela his­to­ri­o­gra­fia ofi­cial.

Mi­nha co­ta­ção: bom

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