Crônicas

Eu protesto!

segunda-feira, 10 de Fevereiro de 2014 Texto de
Saturno de Goya

Sa­tur­no de Goya

Eu não sou con­tra pro­tes­to ne­nhum. Se o ca­ra quer ir lá e jo­gar bom­ba, que vá e jo­gue. Só que es­se ca­ra pre­ci­sa ser res­pon­sa­bi­li­za­do e pu­ni­do se­gun­do a lei (prin­ci­pal­men­te quan­do fe­re, ma­ta ou des­trói).

Por nos­sa his­tó­ria de re­pú­bli­ca das ba­na­nas, on­de pou­cos co­mem a fru­ta e a gran­de mai­o­ria es­cor­re­ga na cas­ca, há uma sen­sa­ção de­sen­fre­a­da de im­pu­ni­da­de, de va­le-tu­do. Exis­tem leis, mas di­fi­cil­men­te são apli­ca­das co­mo de­ve­ri­am ser.

Os pro­tes­tos nas ru­as co­me­ça­ram em ju­nho de 2013. Por­tan­to, há oi­to me­ses. Des­de en­tão, mui­ta gen­te jo­gou bom­ba, fe­riu e ma­tou. Quan­do eu di­go mui­ta gen­te, in­cluo, cla­ro, po­li­ci­ais. Mas pou­cos, po­li­ci­ais ou não, fo­ram pu­ni­dos.

Pa­re­ce que as in­ves­ti­ga­ções não são le­va­das adi­an­te nes­ses ca­sos, a não ser quan­do há pres­sões da cha­ma­da so­ci­e­da­de ci­vil.

E um de­ta­lhe pa­ra­do­xal (e que as­sus­ta) é que mui­tas pes­so­as que se di­zem pro­gres­sis­tas e com­ba­ti­vas che­gam a de­fen­der nas mí­di­as so­ci­ais a vi­o­lên­cia de gru­pos de ex­tre­mis­tas cu­ja ação é tão con­fu­sa e sem sen­ti­do quan­to às te­o­ri­as de seus de­fen­so­res. Por­que seus de­fen­so­res, em­bo­ra ten­tem le­gi­ti­mar seus atos de sel­va­ge­ria, con­de­nam os mes­mos pro­ce­di­men­tos quan­do es­tes se ori­gi­nam no la­do po­li­ci­al.

Ou se­ja, de­fen­dem uma de­mo­cra­cia ca­o­lha, exa­ta­men­te co­mo fi­ze­ram até ho­je as eli­tes bra­si­lei­ras, só que ao con­trá­rio.

De­mo­cra­cia é (ou de­ve­ria ser) as­sim: se ca­da um faz o que bem en­ten­de, de­ve ao me­nos res­pon­der pe­lo que faz. E não fer­rar com a vi­da dos ou­tros (de di­ver­sas ma­nei­ras) e ain­da sair co­mo o fo­dão da his­tó­ria.

(Aliás, já vou avi­san­do: tem gen­te in­si­nu­an­do por aí que quem não vai a pro­tes­tos não po­de cri­ti­car o que acon­te­ce lá. Pe­raí. En­tão pa­rem de fa­lar de no­ve­la. Por­que não é to­do mun­do que bei­ja a Bru­na Mar­que­zi­ne, né? Co­mi­go não, vi­o­lão!)

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