Crônicas

Um complexo debate na madrugada

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014 Texto de

Hoje. Três, tal­vez três e meia. 

(Voz dis­tante)
 – Você fi­cou lá lam­bendo ela, pu­xando o saco.

(Tre­cho in­com­pre­en­sí­vel)
 – Eu… nin­guém… fa­lei…

(Mais perto, rís­pido, em­bri­a­gado)
 – Fi­cou, fi­cou, você é um ba­baca, isso sim.

(Tam­bém em­bri­a­gado)
 – Só fa­lei com ela, porra! 

(Agora puto da vida)
 – Eu sei, eu sei que você fa­lou, fi­cou lá que nem uma besta, é isso que você é, uma besta.

(Meio que achando graça, uma ri­sa­di­nha de bê­bado)
 – O que eu fiz de er­rado? Que tem fa­lar com ela?

(Quase vi­o­lento, aos ber­ros, bem perto)
 – Nada, só que você é puxa-saco, puxa-saco!

(Ca­chor­ros la­tem)
 – Você é louco.

(Ca­chor­ros la­tem, o per­ni­longo pica)
 – E você é uma besta.

(Ca­chor­ros la­tem, o vento so­pra, um carro passa ve­loz)
 – Só fa­lei com ela.

(Voz dis­tante)
 – Por trás você é ma­chão, mas quando ela tá por perto você fica man­si­nho.

(Tam­bém dis­tante)
 – Você tá louco.

(Tre­cho in­com­pre­en­sí­vel)
 – Louco… você… boca… besta!

(Si­lên­cio)

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