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Poema: Tempo do tempo

terça-feira, 16 de abril de 2013 Texto de

Sabe? Você pode me com­pa­rar àquela ár­vore grande pres­tes a tom­bar
Mas, saiba, eu não vou cair agora
Por­que sou ape­nas uma muda em busca de ar

Se qui­ser, lembre-se de mim ao ver o me­te­oro que cai neste mo­mento
Tam­bém es­tou ten­tando ris­car o céu
Mas ape­nas com pa­la­vras sus­sur­ra­das ao vento 

Veja ali na es­quina, ao lado do seu car­rão
O ga­roto de per­nas aber­tas al­ge­mado
Bem, eu tam­bém es­tou numa pri­são

Sabe? Pode se lem­brar de mim olhando para as al­ge­mas em suas mãos
Um dia vou sair sor­rindo com ele
Dei­xa­re­mos nos­sas pri­sões numa ma­nhã em que o sol nos tor­nará sãos

De peito aberto, sem fa­zer grande alarde
An­da­re­mos jun­tos fa­min­tos de li­ber­dade
E nin­guém po­derá di­zer que já é tarde

Lembre-se de mim na ve­lha ár­vore, no ga­roto po­bre, no me­te­oro fu­gaz
Por­que es­tou com eles, es­tou indo com eles
E você aqui jaz, ou­viu? Você aqui jaz

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