O ad­vento das re­des so­ci­ais e de to­das as fa­ci­li­da­des aber­tas pe­los avan­ços das no­vas tec­no­lo­gias oculta, en­tre a farra fe­liz de múl­ti­plas vo­zes, um fan­tasma ater­ro­ri­zante: a ame­aça de aces­sar­mos tão so­mente uma in­for­ma­ção cada vez mais su­per­fi­cial e pas­sa­geira, si­tu­a­ção que pode co­la­bo­rar para a pro­du­ção de uma for­ma­ção hu­mana ca­penga. Como tudo que é gos­toso, tam­bém nesse caso as con­train­di­ca­ções não são pou­cas.

Vejo gente des­lum­brada com o acesso a in­crí­veis fer­ra­men­tas vir­tu­ais. Pes­soas que nem se­quer ima­gi­nam a ar­ma­di­lha so­bre a qual po­dem es­tar de­di­lhando in­ge­nu­a­mente. Como ques­ti­o­nar a im­por­tân­cia da in­ter­net, das re­des so­ci­ais e de toda a pa­ra­fer­ná­lia tec­no­ló­gica que nos abre ca­mi­nhos im­pen­sá­veis há tão pouco tempo? Não, não há como ques­ti­o­nar.

Mas nem tudo é tão sim­ples como so­nha­mos. Fico aqui ape­nas no campo das in­fluên­cias do jor­na­lismo. Ao to­mar co­nhe­ci­mento de um fato por meio de uma única frase, o usuá­rio do Twit­ter, por exem­plo, corre o risco de considerar-se bem in­for­mado. Eis o nó que está se com­pondo de modo a não nos per­mi­tir sa­ber por en­quanto como desatá-lo. 

Se­ria ini­ma­gi­ná­vel neste mo­mento criar me­ca­nis­mos que pu­des­sem ser­vir de alerta à ilu­são pro­por­ci­o­nada por esse novo pra­zer. Se­ria algo como che­gar para os pri­mei­ros hu­ma­nos de­li­ci­a­dos pe­las sen­sa­ções do sexo e pe­dir que usas­sem ca­mi­si­nha. O au­tor da pro­posta cer­ta­mente le­va­ria uma pau­lada no meio da testa. Mas nós es­ta­mos sim sob a ame­aça de pre­ci­sar­mos, da­qui a um tempo, pen­sar em pre­ser­va­ti­vos con­tra esse lu­xu­ri­ante ban­quete que nos serve do bom e do me­lhor, mas com in­gre­di­en­tes su­fi­ci­en­te­mente ca­pa­zes de cor­rom­per nosso in­te­lecto.

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