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Bate-papo com Beto Pampa

terça-feira, 3 de agosto de 2010 Texto de


Capa do li­vro so­bre mú­sica e fu­te­bol do jor­na­lista Beto Xa­vier, edi­ção da Panda Bo­oks

A jor­na­lista Isa­bel Car­va­lho con­ver­sou com o jor­na­lista Beto Pampa e co­la­bora com o blog en­vi­ando o papo de­les. Se­gue o texto:

O jor­na­lista Beto Xa­vier, co­nhe­cido pe­los bau­ru­en­ses como Beto Pampa, cons­truiu parte de sua car­reira em Bauru, onde pro­du­zia, no fim da dé­cada de 80 e co­meço dos anos 90, o “Vi­va­ci­dade”, um dos mais ou­vi­dos pro­gra­mas de no­tí­cias e MPB, que ia ao ar das 7 às 9 ho­ras pela 96 FM. 

Nosso Beto Pampa de tanta sau­dade, gre­mista, hoje vi­vendo em Porto Ale­gre e tra­ba­lhando para a Ita­pema FM, do Grupo RBS, fa­lou co­migo no sá­bado, dia 31 de ju­lho, so­bre fu­te­bol e mú­sica, suas gran­des pai­xões.

Beto lan­çou em 2008 o li­vro “Fu­te­bol no País da Mú­sica”, pela Panda Bo­oks. Na edi­ção com 276 pá­gi­nas, ele conta a his­tó­ria do ca­sa­mento da mu­sica com o fu­te­bol. En­tre­vis­tas com jo­ga­do­res e mú­si­cos, tre­chos de can­ções e uma ex­tensa pes­quisa re­cheiam as his­tó­rias que tra­tam pa­ra­le­los en­tre as duas mai­o­res pai­xões na­ci­o­nais.

Isa­bel Car­va­lho – Ana­li­sando a África do Sul pós-Copa, um país que fi­cou mais de­ca­dente com as ilu­só­rias pro­pos­tas de me­lho­rias de­pois do maior evento fu­te­bo­lís­tico do pla­neta, com todo o lu­cro indo para a Fifa e o povo mais mi­se­rá­vel e de­ses­pe­ran­çoso ao per­der os mais de 136 mil em­pre­gos ge­ra­dos pelo fu­te­bol, como você vê o go­verno e a mí­dia bra­si­lei­ros, os gas­tos para a cons­tru­ção de vá­rias obras fa­raô­ni­cas e a pu­bli­ci­dade oti­mista para o Bra­sil re­ce­ber a Copa em 2014?

Beto Xa­vier – Ló­gico que não sou con­tra a Copa no Bra­sil. Acho bom o país ser o cen­tro das atra­ções do mundo, um es­porte que gera mui­tos em­pre­gos, di­nheiro, opor­tu­ni­da­des. O xis da ques­tão é que tudo isso está nas mãos de um grupo de pes­soas, cu­jos ver­da­dei­ros in­te­res­ses não têm nada a ver com o in­te­resse co­mum. Em suma, o fu­te­bol bra­si­leiro está do­mi­nado por uma equipe de se­nho­res de re­pu­ta­ção nada ili­bada.

Isa­bel Car­va­lho – O povo res­pira fu­te­bol. Por­tanto, ser con­tra a Copa no Bra­sil se­ria ser con­tra os bra­si­lei­ros ta­ma­nho o fa­na­tismo pelo gla­mour e pela be­leza do es­porte? O que po­de­ria ser feito para dei­xar o fu­te­bol mais ho­nesto e eli­mi­nar es­ses se­nho­res de re­pu­ta­ção nada ili­bada de ime­di­ato?

Beto Xa­vier – O fu­te­bol não é mais um es­porte. É um ne­gó­cio, um co­mér­cio. Imenso, glo­bal, ime­di­ato. Não vejo ne­nhuma chance de vol­tar a ser uma coisa me­nos mer­can­ti­lista e mais lú­dica. É me­lhor es­que­cer essa hi­pó­tese. E como fa­lei, o fu­te­bol vai vol­tar a ser como no co­meço da cha­mada era mo­derna do es­porte bre­tão: es­pe­tá­culo das eli­tes. Al­gu­mas exi­gên­cias da Fifa para os es­tá­dios são ab­sur­das, não pre­ci­sava tanto. É a “eu­ro­pei­za­ção” com­pleta do fu­te­bol. E eles têm ra­zão, né? Afi­nal, o fu­te­bol mo­derno nas­ceu lá e eles pa­rece que es­tão pe­gando a parte que lhes é de di­reito.

Isa­bel Car­va­lho – E o nosso fu­te­bol no ge­ral? A mú­sica…

Beto Xa­vier – Acho que o fu­te­bol bra­si­leiro está to­mando o mesmo ritmo do jor­na­lismo im­presso bra­si­leiro e dos prin­ci­pais paí­ses da Eu­ropa. Se con­ti­nuar as­sim, só vão so­brar os clu­bes bem es­tru­tu­ra­dos, com mar­ke­ting agres­sivo, qua­dro so­cial forte e com con­di­ções de ofe­re­cer algo além do es­pe­tá­culo das qua­tro li­nhas. Nesse ponto, um clube cen­te­ná­rio como o No­ro­este, por exem­plo, tem gran­des chan­ces de aca­bar, in­fe­liz­mente. Por­que num clube como o “No­rusca”, só es­tou ci­tando um exem­plo, não se está le­vando em conta ape­nas o fu­te­bol, mas uma his­tó­ria co­mu­ni­tá­ria, de su­pe­ra­ção, dos fer­ro­viá­rios, en­fim, de uma ci­dade. Quanto à se­le­ção bra­si­leira, pre­firo não co­men­tar. Foi tudo muito hor­rí­vel, desde a de­sas­trosa cam­pa­nha dos guer­rei­ros, ab­surda. Os co­mer­ci­ais da Ar­gen­tina eram bem me­lho­res. Deu no que deu. Per­de­mos uma guerra que não exis­tiu, o que é pior ainda. Mú­sica e fu­te­bol são as duas coi­sas que sa­be­mos fa­zer de me­lhor. Além dos cra­ques das duas ar­tes que co­nhe­ce­mos e ado­ra­mos, há uma le­gião de anô­ni­mos ta­len­to­sos es­pa­lha­dos por este país. Mú­si­cos e jo­ga­do­res. É uma fonte ines­go­tá­vel de ta­len­tos. Tal­vez o fu­te­bol e a mú­sica se­jam a se­nha para en­ten­der este país, tão com­plexo e in­justo.

Foto do jor­na­lista Beto Pampa, ou Beto Xa­vier, pos­tada no site da Ita­pema FM

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