Impressões

Menas, menas

sexta-feira, 25 de junho de 2010 Texto de

É cu­ri­oso, e quase en­gra­çado, ver a farra que se faz na in­ter­net (prin­ci­pal­mente no Twit­ter) com base numa força que não existe. Sim­ples­mente não existe. Con­si­de­rar que o Twit­ter é uma fer­ra­menta de­ci­siva para mu­dar há­bi­tos ou de­fi­nir a pos­tura da opi­nião pú­blica é, no mí­nimo, um exa­gero.

Ve­jam o que acon­te­ceu hoje: foi pro­posta no Twit­ter uma cam­pa­nha de boi­cote à Rede Globo. Pois bem. O re­sul­tado é que a au­di­ên­cia da emis­sora, exa­ta­mente no dia em que a “força” do Twit­ter foi co­lo­cada à prova, apre­sen­tou cres­ci­mento se com­pa­rada às trans­mis­sões an­te­ri­o­res.

O fato é que muita gente que vive boa parte do dia na in­ter­net, seja por­que a in­ter­net é uma im­por­tante fer­ra­menta de tra­ba­lho ou de co­mu­ni­ca­ção ou seja por­que a in­ter­net tam­bém reúne muita gente que não tem o que fa­zer, cos­tuma su­pe­res­ti­mar seu po­der de in­fluên­cia.

Essa ava­li­a­ção equi­vo­cada é in­flu­en­ci­ada pela pró­pria sen­sa­ção cri­ada pela in­ter­net de que o mundo in­teiro está na rede. E não é bem as­sim. Nos Es­ta­dos Uni­dos, por exem­plo, tal­vez a cam­pa­nha con­tra a Globo ou qual­quer ou­tra te­ria um grau maior de in­fluên­cia. Mas em paí­ses como o Bra­sil, a coisa é ainda muito di­fe­rente.

Há re­giões onde não há nem ele­tri­ci­dade, quanto mais in­ter­net, com­pu­ta­dor ou qual­quer apa­rato tec­no­ló­gico. O Bra­sil não é ape­nas o Sul-Sudeste ou São Paulo ou Rio de Ja­neiro. O Bra­sil é isso e mais o nor­des­tão, o norte, o centro-oeste, as lon­gín­quas fron­tei­ras de um país que ainda pre­cisa avan­çar muito para fa­zer da in­ter­net – ou do Twit­ter – uma fer­ra­menta im­por­tante quando o as­sunto é a opi­nião pú­blica.

Me­do­nho

O me­lhor lance do jogo Bra­sil x Por­tu­gal, ao me­nos na trans­mis­são pela TV, ro­lou fora das qua­tro li­nhas. Foi na tri­buna, onde Kaká e Elano es­ta­vam sen­ta­dos. A olhada que o Elano deu pra loi­raça que pas­sou toda sor­ri­dente na frente de­les foi da­que­las que chega a se­car a ví­tima (Ahahahahah).

No campo, o jogo foi me­do­nho.

É certo que o Bra­sil pode até ser cam­peão do mundo, mas já dá pra fa­lar com toda tran­qui­li­dade: o fu­te­bol não vai ser da­que­les. A mi­nha tese em Co­pas do Mundo (esta é a dé­cima que eu acom­pa­nho) é sim­ples: tudo pode mu­dar e é lá que o fu­te­bol de uma se­le­ção pode cres­cer ao ponto de en­can­tar o mundo.

Mesmo as gran­des se­le­ções bra­si­lei­ras às ve­zes saí­ram ca­pen­gando de eli­mi­na­tó­rias, até mesmo pouco acre­di­ta­das, e na hora do va­mos ver fi­ze­ram por me­re­cer a fama. Mesmo a es­pe­ta­cu­lar se­le­ção de 1982 não ha­via feito eli­mi­na­tó­rias bri­lhan­tes. Jo­gou pro gasto e pas­sou pe­las frá­geis Bo­lí­via e Ve­ne­zu­ela.

En­tão, eu sem­pre acho – com ra­zão (rsss) – que o Bra­sil pode che­gar na Copa, in­de­pen­den­te­mente dos jo­gos an­te­ri­o­res, e es­tra­ça­lhar.

Mas nesta Copa acho que não vai ter jeito: a se­le­ção tem boas chan­ces de che­gar à fi­nal, mas não vai en­can­tar. Sob esse as­pecto, es­tou jo­gando a to­a­lha. Mas fico ainda com a pon­ti­nha da eti­queta en­tre dois de­dos. O fu­te­bol bra­si­leiro é tão su­pe­rior a te­ses de jor­na­lis­tas e a es­tra­té­gias de trei­na­do­res que de re­pente… eu posso puxá-la de volta.

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