Impressões

Estética e matemática

quarta-feira, 23 de junho de 2010 Texto de

Com o pas­sar dos anos, os avan­ços tec­no­ló­gi­cos, o show de ima­gens, as câ­me­ras po­si­ci­o­na­das em to­dos os can­tos do es­tá­dio, tu­do is­so aju­da a tor­nar a Co­pa do Mun­do um gran­de des­fi­le de vai­da­des.

São ca­be­los mo­der­no­sos, chu­tei­ras co­lo­ri­das, ta­tu­a­gens que ho­me­na­gei­am não sei quem e as­sim por di­an­te. Par­te do pú­bli­co – com­pos­to de mu­lhe­res e gays – já até se quei­xam quan­do a be­le­za fí­si­ca dos atle­tas não cor­res­pon­de às ex­pec­ta­ti­vas.

Fo­ra a es­té­ti­ca cor­po­ral, tam­bém en­tram em ce­na egos in­fla­dos, per­so­na­li­da­des di­fí­ceis, gen­te en­fi­a­da até o pes­co­ço num mun­do fan­ta­si­o­so de apa­rên­ci­as e in­te­res­ses mer­ca­do­ló­gi­cos – qua­se sem­pre pes­so­ais.

A Co­pa é um es­pe­tá­cu­lo em to­dos os sen­ti­dos. É o re­sul­ta­do da pro­du­ção hu­ma­na.

No cam­po, quan­do as vai­da­des es­té­ti­cas ou psi­co­ló­gi­cas são, por al­guns mo­men­tos, dei­xa­das de la­do pa­ra que os cra­ques se de­di­quem à bo­la, che­ga a vez da Co­pa ma­te­má­ti­ca: os pon­tos con­quis­ta­dos até en­tão, o sal­do, os jo­gos si­mul­tâ­ne­os que po­dem de­fi­nir uma clas­si­fi­ca­ção no úl­ti­mo mi­nu­to, co­mo ro­lou ho­je com os nor­te-ame­ri­ca­nos.

A cal­cu­la­do­ra pas­sa a ser uma co­ad­ju­van­te fun­da­men­tal. Às ve­zes, até a pró­pria pro­ta­go­nis­ta.

En­quan­to is­so, en­quan­to ro­lam os des­fi­les de mo­da, en­quan­to de­sa­bro­cham os egos in­do­má­veis, en­quan­to se mul­ti­pli­cam as bri­gas de to­das as es­pé­ci­es, no cam­po o fu­te­bol es­tá opri­mi­do. Es­tá sub­ju­ga­do. Ar­ris­ca­do a per­der seu bri­lho.

Os ca­ras che­gam na bo­ca do gol e têm me­do de mar­car. Cru­zam a bo­la quan­do po­de­ri­am en­fiá-la na re­de. Chu­tam em ci­ma do go­lei­ro quan­do de­ve­ri­am dri­blá-lo e en­trar com bo­la e tu­do. Tro­cam mil pas­ses an­tes de olhar pa­ra o ob­je­ti­vo fi­nal.

Aque­le re­tân­gu­lo de três paus ves­ti­do por uma re­de apa­vo­ra os ata­can­tes. É seu fan­tas­ma. A ale­gria do gol se trans­for­mou em de­sa­ba­fo. O pra­zer de me­ter a bo­la na re­de pas­sou a ser alí­vio. Fa­zer gol ho­je é ti­rar um pe­so das cos­tas.

A Co­pa pre­ci­sa mu­dar a par­tir das oi­ta­vas de fi­nal. Mais do que qual­quer se­le­ção, mais do que qual­quer cra­que ou téc­ni­co, quem pre­ci­sa ven­cer es­te Mun­di­al é o fu­te­bol.

Pra sair faís­ca

Ale­ma­nha x In­gla­ter­ra é uma das oi­ta­vas. Dois cam­peões mun­di­ais que já se en­ca­ra­ram nu­ma fi­nal. Em 1966, os in­gle­ses ven­ce­ram em ca­sa – na épo­ca, ha­via du­as ale­ma­nhas – a Ale­ma­nha Oci­den­tal num jo­go po­lê­mi­co do qual os ale­mães re­cla­mam até ho­je. Se­rá que nes­se jo­go sai faís­ca?

Não sei não, mas al­go me diz que a Ar­gen­ti­na vai ter en­cren­ca con­tra o Mé­xi­co. Tor­ço pa­ra o ti­me de Ma­ra­do­na pas­sar. Que­ro ver uma fi­nal Bra­sil x Ar­gen­ti­na. Mas... não sei não.

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