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Complexidades

terça-feira, 11 de maio de 2010 Texto de

A te­o­ria ma­ni­queista que mui­tas ve­zes é apli­cada a pes­soas ou a es­tru­tu­ras das quais es­sas pes­soas fa­zem parte nunca me con­ven­ceu.

Revi por es­tes dias, na TV fe­chada, um filme ca­paz de ilus­trar bem o que eu con­si­dero um equí­voco. “A vida dos outros”(2006, Ale­ma­nha, ven­ce­dor do Os­car de me­lhor filme es­tran­geiro) é so­bre o es­quema de vi­gi­lân­cia mon­tado pelo go­verno da ex-Alemanha Ori­en­tal para acom­pa­nhar os pas­sos do mais im­por­tante dra­ma­turgo do país e de sua na­mo­rada, uma fa­mosa atriz, na época da Guerra Fria. 

Quem rouba a cena é o res­pon­sá­vel pelo es­quema, o ca­pi­tão Gerd (Ul­rich Mühe), cujo in­te­resse pela vida dos vi­gi­a­dos torna-se um ver­da­deiro fas­cí­nio, ca­paz de levá-lo a atos im­pen­sá­veis para al­guém que in­te­gra um sis­tema desse gê­nero. No fim, o pró­prio vi­gi­ado lhe con­cede uma emo­ci­o­nante ho­me­na­gem.

Acho muito sim­plista di­zer­mos que tal su­jeito ou tal sis­tema po­lí­tico ou seja lá o que for é bom ou mau. Um su­jeito con­si­de­rado mau pode guar­dar ca­rac­te­rís­ti­cas que des­men­tem sua fama. Um sis­tema con­si­de­rado ruim pode ter bons su­jei­tos. E o in­verso tam­bém vale. 

Acho que, no fundo, to­dos so­mos bons e maus. Do papa ao pior ban­dido.

Se­le­ção
Tam­bém não dá para sair ati­rando no Dunga por­que ele não con­vo­cou jo­ga­do­res que todo mundo gos­ta­ria de ver na Copa. Eu, como tor­ce­dor, le­va­ria vá­rios cra­ques que ele des­pre­zou. E dei­xa­ria de fora ou­tros que ele vai le­var.

Mas não sei se eu, caso fosse o téc­nico da Se­le­ção, agi­ria de modo di­fe­rente. Pra mim, não se ga­nha uma Copa do Mundo ape­nas com cra­ques. Se não hou­ver um ele­vado grau de com­pro­misso e de união (sei que é di­fí­cil exi­gir isso das cha­ma­das es­tre­las), a es­trada vira tri­lho (como se diz lá na roça). 

A ver­dade é que se a se­le­ção do Dunga che­gar lá, o tor­ce­dor não vai nem se lem­brar do que hoje é con­si­de­rado sa­cri­lé­gio. E fran­ca­mente não acho que seja tão im­pro­vá­vel. O Dunga, quei­ram ou não seus de­sa­fe­tos, ga­nhou quase tudo que dis­pu­tou como téc­nico da Se­le­ção.

Sei que al­guém aí vai di­zer em tom de de­bo­che: “Ga­nhou o quê? Eli­mi­na­tó­rias? Copa das Con­fe­de­ra­ções? Copa Amé­rica?”. E eu di­rei: “Sim, foi o que ele dis­pu­tou, fora as Olim­pía­das”. Por­tanto, quei­ram ou não seus de­sa­fe­tos, o cara tem ca­cife. Isso é fato.

Mas que ele po­dia ter le­vado mais gente boa, isso po­dia.

En­fim, no fundo, to­dos so­mos bons e maus. Do Ganso ao Dunga.

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