Crônicas, Impressões

Mão boba

segunda-feira, 5 de abril de 2010 Texto de

O jor­na­lismo de ce­le­bri­da­des trouxe por es­tes dias al­guém pas­sando a mão no bum­bum de não sei quem. Acho que um ator bo­beou em pú­blico e foi fla­grado por um fo­tó­grafo quando, di­ga­mos, ave­ri­guava as con­di­ções do tra­seiro de uma atriz (me des­cul­pem, mas não me lem­bro dos no­mes por­que acho que são ame­ri­ca­nos, o que, por fim, dá na mesma, pois o que está em pauta é o ato e não os pro­ta­go­nis­tas).

Eu acho que já es­crevi em ou­tro es­paço deste mesmo site que o apa­rato tec­no­ló­gico de hoje em dia, seja para cap­tu­rar a in­for­ma­ção ou para divulgá-la, é algo ex­tre­ma­mente trai­ço­eiro – por­que ao mesmo tempo em que é de­ci­sivo para vi­a­bi­li­zar com ra­pi­dez ope­ra­ções im­por­tan­tes para o jor­na­lismo, ao mesmo tempo em que re­pre­senta um sig­ni­fi­ca­tivo avanço na pro­du­ção da in­for­ma­ção, esse mesmo apa­rato pode nos jo­gar numa vala pe­ri­gosa onde os pa­râ­me­tros que cer­cam o pri­vado e o pú­blico po­dem es­tar or­bi­tando num uni­verso de di­fí­cil com­pre­en­são. E mais: pode, com sua força, criar e re­criar ima­gens, hi­pó­te­ses, his­tó­rias, fa­tos.

E esse as­pecto estende-se tam­bém a qual­quer seg­mento da vida mo­derna que se apoia na tec­no­lo­gia. Ve­jam o que pode ter sig­ni­fi­cado a uti­li­za­ção de alta tec­no­lo­gia no Caso Nar­doni. Não houve tes­te­mu­nhas. Nin­guém pre­sen­ciou o crime. Mas a pe­rí­cia con­se­guiu en­ca­dear a his­tó­ria de tal modo que, se­gundo sua ver­são, não resta dú­vida so­bre a culpa dos acu­sa­dos, agora con­de­na­dos.

A tec­no­lo­gia in­clui um con­junto de fer­ra­men­tas que está na fron­teira do bem e do mal. Tanto para quem co­mete um crime quanto para quem re­solve dar uma pas­sa­di­nha de mão na bunda alheia. 

In­fan­til

É cu­ri­oso que hoje se passe tão fa­cil­mente a mão na bunda dos ou­tros. Eu me lem­bro que na mi­nha época de es­cola pri­má­ria (lá pela dé­cada de 1970), um ato dessa mag­ni­tude po­de­ria cau­sar gra­ves des­do­bra­men­tos. Não houve uma nem duas de­sa­ven­ças mo­ti­va­das pela ve­lha “mão boba”. Fo­ram mui­tas. O ter­ri­tó­rio era sa­grado. Le­vava à di­re­to­ria. Pro­vo­cava so­cos e pon­ta­pés. Evo­cava me­lan­co­li­ca­mente por meio de pa­la­vras obs­ce­nas a mãe do ou­tro. Aca­bava com boas ami­za­des. Hoje, pode-se di­zer, as coi­sas che­ga­ram a tal ponto que tal­vez se­jam as bun­das que vi­vem à pro­cura de suas an­ti­gas co­nhe­ci­das de cinco de­dos.

Pornô

Uma vez, as­sis­tindo a um filme pornô com mi­nha mu­lher, ri­mos muito da cena: a atriz pra­ti­cava um ator­do­ante sexo oral em seu par­ceiro quando este le­vou a mão até à dita cuja. Ela, en­tão, sus­pen­dendo por um ins­tante a ação bu­cal, desferiu-lhe um belo tapa, con­de­nando a ou­sa­dia. E o mais im­pac­tante foi a frase que ela pro­nun­ciou: “Olha a mão boba!” (Ah!Ah!Ah!)

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