Impressões

Dúvida do diploma

terça-feira, 6 de abril de 2010 Texto de

Eu te­nho re­ce­bido e-mails de es­tu­dan­tes de co­mu­ni­ca­ção de vá­rias re­giões do Bra­sil e na mai­o­ria dos ca­sos há uma per­gunta que se re­pete: com o fim do di­ploma, ainda vale a pena fa­zer o curso de jor­na­lismo?

Parece-me ter ha­vido, nes­tes úl­ti­mos me­ses, uma certa fil­tra­gem nos cur­sos de jor­na­lismo. Não te­nho da­dos em mãos, mas pelo que an­dei lendo o nú­mero de ins­cri­ções para os ves­ti­bu­la­res caiu em vá­rias fa­cul­da­des. Al­gu­mas de­las, aliás, nem mesmo abri­ram tur­mas.

Essa fil­tra­gem ocorre por­que, com a queda do di­ploma, os que se man­ti­ve­ram fir­mes em busca de uma boa es­cola de jor­na­lismo são aque­les que re­al­mente que­rem de al­gum modo, seja para ga­nhar a vida ou para re­a­li­zar um tra­ba­lho pra­ze­roso, exer­cer a pro­fis­são. Muita gente que en­trava nas fa­cul­da­des sim­ples­mente para “ele­var o sta­tus” ou coisa do tipo está indo pro­cu­rar ou­tro ter­reiro, o que, aliás, é ótimo.

Cur­sar uma fa­cul­dade de jor­na­lismo é fun­da­men­tal para quem quer in­gres­sar no mer­cado, com ou sem a obri­ga­to­ri­e­dade do di­ploma. Já é tão di­fí­cil se­le­ci­o­nar bons can­di­da­tos para as va­gas que sur­gem no mer­cado de tra­ba­lho apoiando-se nos jor­na­lis­tas recém-formados, que se torna com­ple­ta­mente in­viá­vel para as em­pre­sas de co­mu­ni­ca­ção bus­car pro­fis­si­o­nais de ou­tras áreas para seus qua­dros.

Sim, meus ca­ros, po­dem con­ti­nuar fa­zendo fa­cul­dade de jor­na­lismo. É de lá que sairá a me­lhor mão de obra para os veí­cu­los. Claro, para toda re­gra há ex­ce­ção. Com ou sem a obri­ga­to­ri­e­dade do di­ploma, sem­pre ha­verá quem, mesmo vindo de ou­tras pla­gas, con­siga se en­cai­xar bem em al­guma área do jor­na­lismo. Mas será sem­pre ex­ce­ção.

Aliás, para en­cer­rar, se os sin­di­ca­tos dos jor­na­lis­tas não ti­ves­sem sido, nas úl­ti­mas dé­ca­das, tão in­fle­xí­veis com gente de ou­tras pro­fis­sões que atu­a­vam como co­la­bo­ra­do­res no jor­na­lismo, tal­vez o di­ploma ainda es­ti­vesse va­lendo.

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