Impressões

Melhor ou pior? Mais ou menos?

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009 Texto de

Está in­su­por­tá­vel ver nos jor­nais, nos por­tais de in­for­ma­ção da in­ter­net e nas emis­so­ras de te­le­vi­são as com­pa­ra­ções que le­vam em conta a per­for­mance econô­mica de cer­tos pe­río­dos: “Cres­ci­mento mun­dial é o me­nor em 60 anos”; “In­dús­tria tem o quarto pior tri­mes­tre desde 99”; “PIB é o me­nor de não sei quan­tos se­mes­tres”; “Cré­dito é o maior em tan­tos anos”, “Eco­no­mia dos EUA é a pior desde Mic­key Mouse”. 

E ver­dade seja dita, essa onda de com­pa­ra­ções não ocorre ape­nas na eco­no­mia. No es­porte, é uma gran­deza: “Pal­mei­ras tem o me­lhor iní­cio de cam­pe­o­nato em um par de anos”; “Co­rinthi­ans co­meça com o time mais pe­sado em três dé­ca­das”; “São Paulo erra 25% a mais pas­ses nos pri­mei­ros 8 mi­nu­tos e 37 se­gun­dos do Pau­lis­tão”.

E nas ca­pas de DVDs de fil­mes? “Do mesmo di­re­tor da­quele ou­tro su­cesso”; “Com­pa­rado à obra-prima do pro­du­tor tal que é seu primo de se­gundo grau”; “Da ex-namorada do fu­turo noivo do ro­tei­rista do filme que quase ven­ceu o Os­car em 2000”. 

Na mi­nha casa, não sei por que, te­nho a im­pres­são que nossa ca­de­li­nha tem me di­ri­gido olha­res in­qui­si­do­res, tipo co­brando um dis­tante pa­ren­tesco com “A dama”, aquela que fez par com “O va­ga­bundo” no ci­nema. Ando dis­far­çando, mas numa hora des­sas vou ter que dar o braço a tor­cer. Coi­ta­di­nha, ela tam­bém é fi­lha de Deus. 

Quanta com­pa­ra­ção! A mais linda, o mais sexy, a bunda mais bo­nita, o me­lhor, o pior, o mais, o me­nos, a top… 

O mundo está pre­ci­sando re­or­de­nar o grau de im­por­tân­cia de seus acon­te­ci­men­tos e dis­cus­sões. É muito tempo per­dido em troca de pouca coisa. Mas o caso, para des­graça ge­ral, é que há gente con­su­mindo tanta bo­ba­gem. Hoje, o ín­dice de con­sumo de ba­na­li­da­des e afins é o maior dos úl­ti­mos 2.009 anos!

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