Crônicas

Gangues

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014 Texto de

Até hoje tento de­co­rar o jeito certo de es­cre­ver o nome do Le­o­nardo Di­Ca­prio. Tudo junto (o so­bre­nome com o C maiús­culo). Puta que o pa­riu, que com­pli­ca­ção! Bom, en­fim, é as­sim. Bom ou­tra vez, fa­zia al­guns dias que eu que­ria es­cre­ver isto (acho que desde que co­me­cei acom­pa­nhar “Amo­res Rou­ba­dos”, a mi­nis­sé­rie da Globo). 

Por­que é o se­guinte: Cauã Rey­mond (ou­tra apor­ri­nha­ção na hora de es­cre­ver – por que as pes­soas não bo­tam no­mes sim­ples como “Márcio ABC”, “Sér­gio Bento”, “João Pe­dro”, “Ana Clara”?) , Cauã Rey­mond cra­vou em “Amo­res Rou­ba­dos” o que Le­o­nardo Di­Ca­prio atin­giu em “Gan­gues de Nova York”.

Por que isso agora?

Sim­ples: che­guei da rua e, en­quanto co­mia um pão fofo que a mu­lher me ven­deu na es­quina do bar (eu es­tava to­mando cer­veja com o João Pe­dro Feza) e na hora em que eu pe­guei o pão ela me pu­xou pelo braço e disse “os olhos de Deus es­tão em você”, en­fim, quando che­guei da rua e li­guei a TV, a Fox es­tava pas­sando “Gan­gues de Nova York”.

Foi o filme em que o Di­Ca­prio (agora es­tou se­guro para es­cre­ver o nome dele, en­tão es­cre­ve­rei bas­tante, como fez meu amigo Deco uma vez em que, che­gando à mesa do bar, eu o ob­ser­vei in­qui­eto e ca­lado – exa­ta­mente o con­trá­rio de como ele se com­por­tava. Sen­tei ao seu lado e per­gun­tei: “que foi, Deco?”. E ele: “ABC, como é o nome desse cara com quem es­tou con­ver­sando há umas duas ho­ras e não me lem­bro?” Eu: “É Pe­dro, Deco”. Ele: “Ver­dade!”. E daí em di­ante, a noite in­teira, nunca ouvi tanto “Pe­dro” na mi­nha vida.) , o Di­Ca­prio (uhu!) su­biu o de­grau do ga­lã­zi­nho gato para ator de ver­dade, o mesmo que acon­tece agora na bela mi­nis­sé­rie da Globo com o Cauã. 

Pa­ra­béns, bo­ni­tões. Tudo bem que a di­re­ção ajuda, né? Di­Ca­prio (iéiéiéié), por exem­plo, teve a ajuda do maior di­re­tor de to­dos os tem­pos (per­dão, Clint, mas o que posso di­zer?): Scor­sese.

Ou­tra ajuda va­li­osa para Di­Ca­prio deve ter sido a de Da­niel Day-Lewis, que já ti­nha feito “Meu pé es­querdo” e “Em nome do pai”. 

Será que Pa­tri­cia Pil­lar e Os­mar Prado tam­bém aju­da­ram Cauã? Pode ser. 

Bom, em “Amo­res Rou­ba­dos”, re­pito, Cauã foi o Di­Ca­prio (toma, loi­ri­nho!) de “Gan­gues”, foi o ins­tante em que ele su­biu o de­grau, dei­xou de ser a ca­ri­nha bo­nita (Ah, seu foda!).

Eu, pra di­zer a ver­dade, não me lem­bro mais a esta al­tura o des­fe­cho pla­ne­jado para este texto. 

Ti­nha al­guma coisa pra di­zer, não sei se era do Di­Ca­prio (chupa, Léo!) ou do Cauã (acho que não). É que a cena fi­nal de “Gan­gues”, quando Di­Ca­prio (ahahahahah!) diz (em nar­ra­ção) que nin­guém se lem­brará de­les, sem­pre me faz lem­brar de nós to­dos, os ba­ba­cas pre­o­cu­pa­dos com as me­ni­nas que o Ro­nal­di­nho Gaú­cho está co­mendo, os in­con­for­ma­dos com a opres­são aos ga­ro­tos po­bres que que­rem ir aos shop­pings, os ca­ras que pas­sam a mão na pró­pria bunda e sen­tem os de­dos gros­sos dos po­lí­ti­cos.

O que eu ia di­zer mesmo?

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