Crônicas

Um pequeno milagre

sexta-feira, 22 de novembro de 2013 Texto de
Foto: Nelson González Leal

Foto: Nel­son Gon­zá­lez Leal

Ou­tro dia à noi­ti­nha, vol­tando de­pois da ca­mi­nhada, avis­tei dois ga­ro­tos de tal­vez nove ou dez anos (está cada vez mais di­fí­cil sa­ber se as cri­an­ças têm sete ou doze anos) ba­tendo uma bo­li­nha na rua ao lado da praça aqui perto de casa. Um chu­tava para o ou­tro e o ou­tro de­vol­via para o um. 

Fui me apro­xi­mando na­tu­ral­mente e quando che­guei perto e pude ou­vir o som do cho­que da bola con­tra os pés dos me­ni­nos, um sei lá que nos­tal­gia me ti­rou pra dan­çar. É cu­ri­oso como a mente hu­mana pode des­pe­jar tan­tas lem­bran­ças em tão pou­cos se­gun­dos. Foi o que acon­te­ceu co­migo num re­lance.

Pas­sei pe­los atle­tas mi­rins e ao me afas­tar um pouco olhei para meus pró­prios pés, eu es­tava de tê­nis, e não con­se­gui me lem­brar quando ha­via dado o úl­timo chute numa bola. E nisso veio um de­sejo re­pen­tino de ao me­nos to­car nela. Foi quando acon­te­ceu: um dos ga­ro­tos er­rou a di­re­ção e, como num pe­queno mi­la­gre, eu a ouvi qui­car bem às mi­nhas cos­tas.

Fiz pose, dei a maior sorte por­que con­se­gui pará-la bem de­baixo do pé, ajei­tei o corpo e, com uma ca­te­go­ria que es­tra­nhei bas­tante, bati en­tre a bola e o as­falto, ela su­biu um pouco e foi pa­rar nas mãos de um dos ga­ro­tos. Obri­gado, eu os ouvi di­zer quase ao mesmo tempo.

Mas, me­ni­nos, eu é que agra­deço!

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