Crônicas

Fera

quarta-feira, 20 de março de 2013 Texto de

No meio da dé­cada de 1990, quando mi­nha fi­lha Ana Clara ti­nha uns dois anos, cos­tu­má­va­mos bo­tar pra ela ou­vir um disco de vi­nil com vá­rias his­tó­rias in­fan­tis. O apa­re­lho de som fi­cava na sala do pe­queno apar­ta­mento, bem perto da te­le­vi­são. Sem­pre que o li­gá­va­mos para que ela ou­visse o disco, dei­xá­va­mos a TV sem vo­lume.

En­quanto ou­via as his­to­ri­nhas, ela aca­bava mui­tas ve­zes vendo as ima­gens e, sem que nos dés­se­mos conta, as­so­ci­ando uma coisa à ou­tra.

Foi as­sim que en­quanto ou­via a his­tó­ria do lobo mau (nar­rada por um ho­mem de voz grave e ainda mais as­sus­ta­dora do que qual­quer lobo mau) ela viu tam­bém a pro­pa­ganda de um disco do Emi­lio San­ti­ago.

E de­pois, em di­ver­sas oca­siões, quando só a TV es­tava li­gada e apa­re­cia o Emi­lio dan­çando e can­tando, ela ar­re­ga­lava os olhos para a te­li­nha e dis­pa­rava em seu lin­gua­jar pri­mi­tivo: “O lo­bão, o lo­bão!”.

Mor­reu o lo­bão da nossa mú­sica.

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