Crônicas

Oi, bom dia!

quinta-feira, 14 de março de 2013 Texto de
Eustácio, o impagável rabugento de Coragem, o cão covarde

Eus­tá­cio, o im­pa­gá­vel ra­bu­gen­to de Co­ra­gem, o cão co­var­de

Te­nho um ami­go que fi­ca pu­to da vi­da por­que, se­gun­do ele sem qual­quer mo­ti­vo que ele sai­ba, um vi­zi­nho não o cum­pri­men­ta de jei­to ne­nhum. Nem oi nem bom dia nem na­da. E pa­re­ce que não é o ca­so de in­tros­pec­ção ou coi­sa pa­re­ci­da. É fal­ta de edu­ca­ção mes­mo. En­fim, eu acho gra­ça. Por­que apren­di a fa­zer dis­so uma es­pé­cie de “des­car­re­go”.

Há al­guns anos, um epi­só­dio me en­si­nou co­mo li­dar com es­sas si­tu­a­ções. En­trei no ele­va­dor e lá es­ta­va um mo­ra­dor do meu pré­dio. Olhei pa­ra ele e dis­se cla­ra­men­te “oi, boa noi­te”. Em res­pos­ta, só veio um si­lên­cio cons­tran­ge­dor. Co­mo meu ami­go, tam­bém fi­quei pu­to na ho­ra. O ca­ra ti­nha me ou­vi­do e eu já sa­bia que ele fa­la­va!

En­fim, co­me­cei mi­nha pe­que­na vin­gan­ça. Nun­ca mais o cum­pri­men­tei. E o cu­ri­o­so é que eu me mu­dei e um dia o en­con­trei na rua. E não é que ele me olha com aque­la ca­ra de ba­ba­ca e me diz um cum­pri­men­to qual­quer? Não ti­ve dú­vi­das: pas­sei ba­ti­do.

Lem­brei des­ses epi­só­di­os cor­ri­quei­ros da vi­da por­que an­do me di­ver­tin­do às cus­tas de um su­jei­to car­ran­cu­do e, pa­re­ce-me, mal-hu­mo­ra­do que en­con­tro re­gu­lar­men­te. Des­de a pri­mei­ra vez, eu o cum­pri­men­to e ele res­pon­de com a mai­or má von­ta­de do mun­do. Ah! Ah! Ah! E é exa­ta­men­te des­sa par­te que eu gos­to mais.

Compartilhe