Impressões

O novo livro do gênio vivo da literatura mundial

quarta-feira, 28 de setembro de 2011 Texto de

O es­cri­tor norte-americano Phi­lip Roth (Foto re­pro­du­zida do site da edi­tora)

“Nê­me­sis” (Com­pa­nhia das Le­tras, 200 pá­gi­nas), li­vro mais re­cente de Phi­lip Roth, se passa em 1944 du­rante um surto de po­li­o­mi­e­lite em Newark (EUA), ci­dade na­tal do au­tor. Uma obra tão pa­ra­li­sante quanto a do­ença para a qual ainda não ha­via va­cina na­quela época, em plena Se­gunda Guerra Mun­dial. Com­prei o li­vro no sá­bado após o al­moço e an­tes do al­moço de do­mingo eu já o ha­via de­vo­rado.

Sou sus­peito para di­zer, mas pra mim Phi­lip Roth é um dos mai­o­res gê­nios da li­te­ra­tura mun­dial de to­dos os tem­pos. E aqui co­meto uma certa he­re­sia em re­la­ção aos meus pró­prios prin­cí­pios – por­que acho ter­rí­vel ele­ger al­guém a qual­quer posto de me­lhor isso, me­lhor aquilo: tal­vez ele seja o maior ro­man­cista vivo. Claro que não é por causa de “Nê­me­sis”. Mas tam­bém.

A nar­ra­tiva dele é seca, di­reta. Sem­pre que o leio, me lem­bro da fa­mo­sís­sima re­gra de Gra­ci­li­ano Ra­mos: ao es­cre­ver, faça como as la­va­dei­ras que tor­cem a roupa mo­lhada até que ela fi­que bem en­xuta. Para Phi­lip Roth, não é pre­ciso in­ven­tar gran­des pe­ri­pé­cias li­te­rá­rias. Ele sim­ples­mente co­meça a nar­rar e vai em frente. Não re­busca. Não foge de sua es­trada. Ape­nas vai em frente, nos gui­ando para um des­tino que que­re­mos des­co­brir de­ses­pe­ra­da­mente. É as­sim que me sinto ao ler “Nê­me­sis”, “A Hu­mi­lha­ção”, “In­dig­na­ção”, “O ani­mal ago­ni­zante” e por aí afora.

Sin­ce­ra­mente não sei quem po­de­ria ima­gi­nar fa­zer um ro­mance a par­tir de um surto de po­li­o­mi­e­lite. A ideia, de cara, pa­rece ser ruim. A pó­lio hoje é tra­tada quase ape­nas em tom in­fan­til, com o bom hu­mor da­que­les bo­ne­cões que brin­cam com as cri­an­ças. Mas nos idos dos anos 1940, quando ainda não se ti­nha re­mé­dio para combatê-la (a va­cina só foi des­co­berta na dé­cada de 1950), sua pre­sença cau­sava gran­des es­tra­gos. “Nê­me­sis” re­cria cla­ra­mente esse ce­ná­rio, um in­ferno que du­rante os sur­tos che­gava a pre­o­cu­par mais do que a pró­pria guerra.

En­tão, Phi­lip Roth cria o Sr. Can­tor, um pro­ta­go­nista jo­vem, vi­go­roso, atleta, que dá aula de edu­ca­ção fí­sica para ga­ro­tos de onze, doze, treze anos de idade. Em­bora a do­ença atin­gisse tam­bém adul­tos, sua maior in­ci­dên­cia era en­tre o pú­blico in­fan­til. E ela chega para co­me­çar a de­vas­tar a ci­dade e a ma­tar seus alu­nos. To­dos ti­ve­mos ami­gos nessa idade, to­dos ti­ve­mos pro­fes­so­res dos quais gos­ta­mos, mo­men­tos bons e ruins dos quais nos lem­bra­mos. Não é pos­sí­vel fi­car imune à emo­ção que tres­passa o li­vro, às cri­ses re­fle­xi­vas do pro­ta­go­nista, ao amor que ele nu­tre por uma jo­vem pro­fes­sora que está dis­tante e que teme por ele. À cir­cuns­tân­cia que in­siste em levá-los para a tra­gé­dia.

Para sa­ber mais so­bre o li­vro, no site da edi­tora, cli­que aqui

Capa do li­vro pu­bli­cado pela Com­pa­nhia das Le­tras

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