Crônicas

Erasmo e Roberto; a Cris e eu

sexta-feira, 9 de setembro de 2011 Texto de

Acabo de ver no Jô a en­tre­vista com Erasmo Car­los. Não sou fã do Erasmo. Sou ad­mi­ra­dor. Eu o ad­miro pela pos­tura. Pelo ca­rá­ter. Pela ética. E, acho que no fim das con­tas, pela ami­zade. Não deve ser fá­cil man­ter uma ami­zade cin­quen­te­ná­ria com o cha­mado Rei. Es­tar ao lado do cara que leva toda fama mesmo quando você faz parte dela. Mesmo quando, às ve­zes, você é o res­pon­sá­vel por ela.

Eu te­nho uma grande amiga, que se chama Cris­tina Ca­margo. É uma das jor­na­lis­tas que mais ad­miro. Não deve ab­so­lu­ta­mente nada para ne­nhuma ou­tra. Para ne­nhum ou­tro. A Cris é uma puta fã do Chico Bu­ar­que. Aliás, mais do que fã. Ela, se o Chico dei­xasse o Olimpo e vi­esse aos mor­tais, te­ria um caso com o deus. As­sim como vá­rias ami­gas que co­nheço.

Ul­ti­ma­mente, po­rém, a Cris está cor­ne­ando o Chico. Anda ar­ras­tando as asas para o lado do Ro­ber­tão, o cha­mado Rei. Anda ou­vindo Ro­berto com os olhos cheios d’água. Mas du­vido que ela, nes­sas ho­ras, pense muito no Erasmo. Pou­cos pen­sam. Não, não é culpa da Cris ou de ne­nhum ou­tro. É que a vida é as­sim mesmo. A vida foi feita para al­guém con­quis­tar o es­paço pelo qual to­dos lu­tam.

E nesse es­paço só há paz quando en­tra em cena essa coisa in­tra­du­zí­vel que é a ami­zade. O que se­ria do Ro­berto sem o Erasmo? O que se­ria de mim sem a Cris? Claro, não te­nho fama, não te­nho di­nheiro, não sei can­tar. Mas te­nho ami­gos. E isso im­porta muito. Erasmo deve ser um puta amigo.

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