Crônicas

Vou dizer tudo a você!

sexta-feira, 1 de julho de 2011 Texto de

Ho­je eu vou di­zer tu­do a vo­cê. To­das as coi­sas que me fa­zem per­der o so­no, me dis­trair ao vo­lan­te, di­va­gar en­quan­to ten­to con­cen­trar-me no tra­ba­lho. Vou pe­gar o te­le­fo­ne, dis­car seu nú­me­ro e des­pe­jar meus se­gre­dos, mi­nhas frus­tra­ções, meus so­fri­men­tos. Mi­nha sau­da­de.

Não, acho que vou cha­má-la no msn. Tal­vez se­ja mais se­gu­ro. Ao te­le­fo­ne, não sei co­mo re­a­gi­rei ao ou­vir sua voz. Não sei se ape­nas seu “alô” não bas­ta­rá pa­ra re­fre­ar meu ím­pe­to, em­ba­ra­lhar meus pen­sa­men­tos. Pos­so tra­var. Sua voz de tan­tos mo­men­tos, de ge­mi­dos e sus­sur­ros, de quei­xas e bri­gas, de sos­se­go e ri­sa­das, de in­qui­e­tu­de e si­lên­cio. Sua voz cra­va­da na mi­nha al­ma.

Sim, pe­lo msn é mais se­gu­ro. Es­tou do la­do de cá. Não a ve­jo. Não a ou­ço. Mi­nha co­ra­gem frá­gil se sus­ten­ta­rá até que eu lhe di­ga tu­do, ao con­trá­rio do que po­de­ria acon­te­cer ca­so eu a pro­cu­ras­se pes­so­al­men­te. Di­an­te de vo­cê, sem te­le­fo­ne, sem msn, sem e-mail, sem as re­des so­ci­ais, com­ple­ta­men­te des­pi­do da pa­ra­fer­ná­lia vir­tu­al, di­an­te de vo­cê em car­ne e os­so, eu se­ria ape­nas eu mes­mo. E eu sou mui­to pou­co per­to de vo­cê.

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