Impressões

Um livro para respirar pouco

sexta-feira, 22 de abril de 2011 Texto de

Ri­cardo Da­rin (Be­ja­mín) e So­le­dad Vil­la­mil (Irene)

Eu já ha­via visto o filme e acho que isso aju­dou, mas o fato é que o li­vro “O se­gredo dos seus olhos”, no qual foi ba­se­ada a obra homô­nima ven­ce­dora do Os­car de me­lhor filme es­tran­geiro em 2010, é de uma pe­gada in­crí­vel. Da meia-noite de on­tem às qua­tro da ma­nhã de hoje, eu de­vo­rei as 160 pá­gi­nas que fal­ta­vam para con­cluir mi­nha lei­tura (são 210 pá­gi­nas).

O ar­gen­tino Edu­ardo Sa­cheri mos­tra um vi­gor fora de sé­rie para le­var à frente uma his­tó­ria ma­gis­tral, onde o drama pe­sado e a co­mé­dia leve se en­tre­la­çam num ce­ná­rio as­som­brado pela Ar­gen­tina tur­bu­lenta da dé­cada de 1970. 

O pro­ta­go­nista Ben­ja­mín Cha­parro, que se apo­sen­tou de­pois de trinta anos tra­ba­lhando em jui­za­dos, prin­ci­pal­mente em Bu­e­nos Ai­res, re­solve es­cre­ver um ro­mance a par­tir de um dos ca­sos mais es­ca­bro­sos que ele acom­pa­nhou na sua pro­fis­são: o bru­tal as­sas­si­nato de uma jo­vem mu­lher re­cen­te­mente ca­sada.

A ideia de Sa­cheri, que es­cre­veu o li­vro com dois nar­ra­do­res – ele pró­prio acom­pa­nhando o dia a dia de Cha­parro e Cha­parro cons­truindo seu ro­mance – deu certo. A his­tó­ria de Cha­parro parte de uma vi­o­lên­cia in­con­ce­bí­vel e a de Sa­cheri, de um sen­ti­mento ex­tra­or­di­ná­rio (o amor platô­nico en­tre Cha­parro e a juíza Irene, sua ex-estagiária).

É da­que­les li­vros que você pensa “só mais um ca­pí­tulo por hoje” e essa frase se re­pete em sua mente du­rante ho­ras se­gui­das.

Um de­ta­lhe: ainda gosto mais do filme, cuja adap­ta­ção apre­senta al­gu­mas mu­dan­ças im­por­tan­tes em re­la­ção ao li­vro. No ci­nema, o fim da his­tó­ria me pa­rece mais im­pres­si­o­nante. Mas isso é por en­quanto. Por­que vou pe­gar o DVD no­va­mente na lo­ca­dora para ten­tar des­co­brir um pouco mais so­bre esse se­gredo per­tur­ba­dor.

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