Uma imagem. E só. | Márcio ABC

Crônicas

Uma imagem. E só.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011 Texto de

Às ve­zes, fi­ca­mos bo­qui­a­ber­tos de ad­mi­ra­ção com ce­nas na te­le­vi­são ou no ci­ne­ma. Mas é in­crí­vel co­mo não nos da­mos con­ta de que bem ao nos­so la­do po­dem ro­lar coi­sas tão ma­ra­vi­lho­sas (ou mais) co­mo as pro­du­zi­das pe­los pro­fis­si­o­nais da ima­gem.

Não me re­fi­ro a na­da es­pe­ci­fi­ca­men­te. É ape­nas uma cons­ta­ta­ção. On­tem à noi­ti­nha, abri um vi­nho, des­pe­jei um pou­co na ta­ça e en­quan­to es­pe­ra­va que ele me dis­ses­se al­go, olhei lá fo­ra em bus­ca de na­da.

Atra­vés da vi­dra­ça, a ima­gem da chu­va fi­na e con­tí­nua, do ven­to bran­do que fa­zia tre­mer flo­res e fo­lhas de jar­dins vi­zi­nhos, do con­cre­to ar­ma­do da ci­da­de dis­si­pan­do-se no ho­ri­zon­te, do pró­prio ho­ri­zon­te es­bran­qui­ça­do pe­las nu­vens, to­das es­sas ima­gens me fi­ze­ram pen­sar nis­so. E só.

Não há men­sa­gem. Não há li­ção. Não há re­fle­xão. Ape­nas a ima­gem. Tão be­la e, acho que qua­se sem­pre, mui­to lon­ge do nos­so olhar.

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