Impressões

O escritor fantasma

domingo, 12 de dezembro de 2010 Texto de

http://www.youtube.com/watch?v=p5UgrC6Dvh0

Eu não ti­nha visto ainda o novo filme de Ro­man Po­lanski (Chi­na­town, O bebê de Ro­se­mary, O pi­a­nista). As­sisti em DVD. E de certo modo fi­quei en­tre a sa­tis­fa­ção e uma ponta de de­cep­ção. Sa­tis­fa­ção por­que não há como ne­gar que se trata de um bom filme po­lí­tico.

Ewan Mc­Gre­gor é o ghost wri­ter de Pi­erce Bros­nan, que in­ter­preta um ex-primeiro mi­nis­tro bri­tâ­nico acu­sado de crime de guerra por su­posta par­ti­ci­pa­ção em tor­tura de sus­pei­tos de ter­ro­rismo. A alu­são ao ex-premiê Tony Blair, tido por mui­tos como um ver­da­deiro ca­pa­cho dos EUA, é clara. 

Mc­Gre­gor e Bros­nan es­tão óti­mos. A at­mos­fera de sus­pense, cons­truída so­bre só­li­das ba­ses po­lí­ti­cas, in­cluindo tra­moias e sexo, é su­fi­ci­ente para en­vol­ver os ci­né­fi­los que pro­cu­ram bons fil­mes.

Mas a, di­ga­mos, pe­quena de­cep­ção de mi­nha parte fica por conta do des­fe­cho um tanto pre­vi­sí­vel. Pre­vi­sí­vel por­que obras desse tipo, onde a po­lí­tica pro­ta­go­niza o en­redo, nada pa­rece ser o que é. Desse modo, não é di­fí­cil sen­tir, lá pela me­tade do filme, quem re­al­mente está dando as car­tas para os vi­lões.

Isso, en­tre­tanto, é algo sub­je­tivo. O filme vale muito a pena. Prin­ci­pal­mente neste vale de lá­gri­mas em que se trans­for­ma­ram as pra­te­lei­ras das lo­ca­do­ras – abar­ro­ta­das de so­cos, pon­ta­pés e bom­bas que ex­plo­dem só mesmo para en­cher a tela.

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