Impressões

Homens e cabras

domingo, 5 de setembro de 2010 Texto de


Quero só re­co­men­dar aqui, sem mai­o­res de­lon­gas, o filme “Os ho­mens que en­ca­ra­vam ca­bras”. Pra mim, uma ex­ce­lente pa­ró­dia de fil­mes de guerra. Ge­orge Clo­o­ney, Jeff Brid­ges, Ewan Mc­Gre­gor e Ke­vin Spa­cey es­tão óti­mos. E é in­crí­vel como eles fa­zem com que o filme re­al­mente pa­reça sé­rio. A his­tó­ria é nar­rada por Ewan Mc­Gre­gor, que in­ter­preta Bob Wil­ton, um re­pór­ter sob forte de­si­lu­são amo­rosa em busca de algo im­por­tante que o res­gate do limbo. Como sem­pre, sua atu­a­ção é muito boa, mas Clo­o­ney está es­pe­ta­cu­lar. Aliás, qual­quer dia vou es­cre­ver so­bre ato­res dos quais eu não gos­tava, mas que me con­quis­ta­ram com seus tra­ba­lhos.

Ve­jam a se­guir a crí­tica pe­guei do site Ci­nema com Ra­pa­dura.

“Os Ho­mens que En­ca­ra­vam Ca­bras” é inu­si­tado por na­tu­reza. Desde seu tí­tulo, até sua his­tó­ria – que logo no iní­cio já nos avisa con­ter mais ver­da­des do que pos­sa­mos ima­gi­nar –, o filme tira sarro do “co­eso” exér­cito ame­ri­cano com um hu­mor non­sense im­pla­cá­vel.

Tudo co­meça com Bob Wil­ton, um jor­na­lista que se en­con­tra de­si­lu­dido após ter le­vado um cano de sua amada. Pro­cu­rando algo de va­lor para sua vida e sua car­reira, até en­tão co­mum, o jo­vem de­cide par­tir para o Ori­ente Mé­dio para co­brir os con­fli­tos que eclo­diam por lá. É en­tão que co­nhece Lyn Cas­sady, su­jeito muito es­tra­nho do qual já ha­via ou­vido fa­lar. Ele su­pos­ta­mente era um dos mem­bros mais des­ta­cá­veis de um trei­na­mento se­creto do go­verno ame­ri­cano cha­mado Exér­cito da Nova Terra, que con­di­ci­o­nava seus ho­mens a se­rem “es­piões psí­qui­cos”, que po­diam, com suas men­tes, pa­rar o co­ra­ção de al­guns ani­mais ape­nas en­ca­rando os po­bres bi­chos, como as ca­bras em ques­tão.

O jor­na­lista, se­guindo al­gu­mas pro­vas (as­pas de novo) “ir­re­fu­tá­veis” da ne­ces­si­dade de acom­pa­nhar o in­di­ví­duo Cas­sady pelo de­serto, parte em uma jor­nada para sabe-se lá onde, se en­vol­vendo en­tão em sé­rios pro­ble­mas. No en­tanto, Wil­ton se mos­tra uma peça fun­da­men­tal para este grupo de des­mi­o­la­dos que lu­tam para res­ta­be­le­cer a ori­gem de sua fi­lo­so­fia: a paz, pois ma­tar os po­bres ani­mais era er­rado, muito er­rado.

O filme é di­ri­gido pelo ci­ne­asta Grant Hes­lov que, além de só­cio da pro­du­tora Smoke House (jun­ta­mente com Ge­orge Clo­o­ney), tem tam­bém em seu cur­rí­culo di­ver­sos pa­péis como co­ad­ju­vante, al­guns de­les em pro­du­ções bem du­vi­do­sas, como ”O Es­cor­pião Rei”. Além da tri­lha so­nora ideal, Hes­lov en­con­trou uma lin­gua­gem in­te­res­sante para re­a­li­zar sua obra. Com um ro­teiro que não se leva a sé­rio e que serve mais para con­tar no pas­sado a ori­gem de toda essa epo­peia, do que nos le­var a al­gum lu­gar no pre­sente, a trama se se­gura no hu­mor da ab­surda lou­cura ame­ri­cana com suas guer­ras mal ex­pli­ca­das e, prin­ci­pal­mente, mal con­du­zi­das, po­dendo ge­rar coi­sas inex­pli­cá­veis como ho­mens que en­ca­ram ca­bras e as ma­tam.

Ou­tro ra­zão da força do longa é seu elenco de pri­meira, que conta com gran­des no­mes do ci­ne­mão. Co­me­çando por Jeff Brid­ges, que in­ter­preta o fun­da­dor do mo­vi­mento se­creto Bill Django. Como sem­pre, o ator en­con­tra o tom certo para esse sol­dado hip­pie que tem sua epi­fa­nia – en­vol­vendo men­tes que po­dem pro­du­zir paz- após ser ba­le­ado no Vi­etnã, quando um es­qua­drão todo se re­cusa a ati­rar em um vi­et­con­gue so­li­tá­rio em­pu­nhando sua arma. Este ato in­cons­ci­ente foi um si­nal para o sol­dado, que após anos de la­bo­ra­tó­rio (e mui­tas dro­gas), vol­tou para li­de­rar seus guer­rei­ros Je­dis, como eles mes­mos se auto-intitulavam.

Já Ewan Mc­Gre­gor (Jedi Obi-Wan de car­teira as­si­nada) in­ter­preta o mo­lenga Bob Wil­ton. Usando de sua cara de bom moço e um hu­mor de qua­li­dade, o ator es­co­cês se­gura as pon­tas como um dos pro­ta­go­nis­tas. Como vi­lão do filme te­mos Ke­vin Spa­cey na pele do in­te­li­gente, mas pouco li­be­ral Larry Ho­o­per. Fa­zendo de tudo para atra­pa­lhar os pla­nos utó­pi­cos do Exer­cito da Nova Terra, o sol­dado usa de ar­ti­fí­cios cruéis e hi­lá­rios (res­sal­tando a ve­lha frase: “Se­ria cô­mico se­não fosse trá­gico”).

Mas com cer­teza o des­ta­que é de Ge­orge Clo­o­ney como o “Skywal­ker” Lyn Cas­sady. Toda a se­ri­e­dade do ator traz um ar pi­to­resco para seu per­so­na­gem, além dos ca­be­los cum­pri­dos do pas­sado e do bi­gode do pre­sente. Re­me­tendo de uma forma pa­ra­lela, mas não dis­tante, seu per­so­na­gem Eve­rett do filme “E Aí, Meu Ir­mão, Cadê Você?” dos ir­mãos Coen, Clo­o­ney se mos­tra per­feito para co­mé­dias que fler­tam com o pas­te­lão. En­tre os co­ad­ju­van­tes, des­ta­que para o sem­pre mal­dito Ro­bert Pa­trick (eterno T-1000) e para Stephen Lang, vi­lão re­cente do su­cesso de bi­lhe­te­rias “Ava­tar”, que aqui faz o bo­ba­lhão Brigadeiro-General Dean Hop­good.

“Os Ho­mens que En­ca­ra­vam Ca­bras” traz um hu­mor di­fe­ren­ci­ado que nos conta como o exér­cito ame­ri­cano não con­se­gue apro­vei­tar boas ideias, por mais ab­sur­das que elas pos­sam pa­re­cer. Sem mui­tas pre­ten­sões, o filme ex­plora te­mas como a guerra do Ira­que de forma me­nos con­tun­dente do que es­pe­rava, mas di­verte com sua his­tó­ria ma­luca. A obra como um todo tal­vez não fi­que na lem­brança de mui­tos, mas ce­nas onde ho­mens atra­ves­sam pa­re­des ao som de “More Than A Fe­e­ling” do Bos­ton, com cer­teza en­trará na mente dos Je­dis que exis­tem por ai.

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