Impressões

Manhãs de setembro

domingo, 5 de setembro de 2010 Texto de

Quando o tempo ruim da seca se des­pe­dir sub­misso, quando a fu­maça as­fi­xi­ante de agosto se dis­si­par hu­mi­lhada, quando a at­mos­fera em­ba­çada de­so­cu­par o es­paço das ma­nhãs ra­di­an­tes de se­tem­bro, quando tudo isso acon­te­cer sem que nos der­mos conta, en­tão, ou­tra vez, ha­verá a ne­ces­si­dade de acre­di­tar. Acre­di­tar que tudo passa. Acre­di­tar que não há li­mi­tes para nos­sas for­ças. Que dos be­cos imun­dos se er­gue­rão ho­mens lim­pos. Das ruas cla­ras sur­gi­rão lam­pe­jos de cons­ci­ên­cia. Das ja­ne­las fe­cha­das, pon­tas de cor­ti­nas apon­ta­rão sob os raios do sol la­ranja. Dos te­lha­dos cin­zen­tos, des­cerá a fu­li­gem morta. De­trás das ra­las nu­vens branquís­si­mas, o azul fi­cará pe­dindo, aos gri­tos se for pre­ciso, pelo re­co­nhe­ci­mento de nosso olhar. E do fundo do peito, per­ce­be­re­mos, en­fim, que ali ainda há um san­gue eja­cu­lando.

No ví­deo abaixo, “Ma­nhãs de se­tem­bro” in­ter­pre­tada por Va­nusa.

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