Sessão de cinema | Márcio ABC

Impressões

Sessão de cinema

segunda-feira, 2 de agosto de 2010 Texto de

http://www.youtube.com/watch?v=rz45qUrQF8M

Eis aqui mi­nhas im­pres­sões so­bre al­guns fil­mes que vi há pou­cos di­as: “Co­ra­ção Lou­co”, “Ar­mê­nia” e “A Ja­ne­la”. Co­me­ço por es­te (“La Ven­ta­na”), de 2009, di­ri­gi­do pe­lo ar­gen­ti­no Car­los So­rín e que re­tra­ta o úl­ti­mo dia de vi­da de um es­cri­tor de 80 anos (in­ter­pre­ta­do pe­lo uru­guaio An­to­nio Lar­re­ta). Há obras que che­gam a do­er na al­ma pe­la sua sim­pli­ci­da­de. Es­ta é uma de­las. É in­crí­vel co­mo um ro­tei­ro cons­truí­do so­bre tal sim­pli­ci­da­de po­de ser tão bom.

A in­ter­pre­ta­ção do ve­te­ra­no ator uru­guaio, do mes­mo mo­do cen­tra­da nu­ma pos­tu­ra sim­ples, sem efei­tos mi­ra­bo­lan­tes, é óti­ma. O fil­me se pas­sa no dia em que An­to­nio, o ve­lho es­cri­tor, aguar­da a che­ga­da do fi­lho, um fa­mo­so pi­a­nis­ta que se mu­dou pa­ra a Eu­ro­pa e há mui­to tem­po não vi­si­ta o pai. A fo­to­gra­fia, nu­ma área da Pa­tagô­nia, tam­bém tem gran­des mo­men­tos.

Cur­ti­nho. Apro­xi­ma­da­men­te 80 mi­nu­tos. To­me um vi­nho tin­to en­quan­to as­sis­te. Po­de ser ar­gen­ti­no ou uru­guaio.

“Ar­mê­nia”, do di­re­tor Ro­bert Gué­di­gui­an, é um pou­co mais ve­lho – de 2006. Lem­bro-me de ter li­do al­gu­mas crí­ti­cas des­fa­vo­rá­veis. E re­al­men­te não se tra­ta de um gran­de fil­me. O dra­ma tam­bém par­te de uma re­la­ção fa­mi­li­ar. Nes­te ca­so, a fi­lha mé­di­ca des­co­bre que o pai es­tá com um sé­rio pro­ble­ma de co­ra­ção. A re­la­ção en­tre os dois (eles vi­vem na Fran­ça) é pés­si­ma. Ele se re­fu­gia na Ar­mê­nia, sua ter­ra na­tal, pa­ra on­de a fi­lha par­te nu­ma “ex­pe­di­ção” em bus­ca do pai e do res­ga­te de uma de­li­ca­da re­la­ção.

Co­mo eu dis­se, não é lá es­sas coi­sas. Mas acho que va­le a pe­na por se tra­tar de uma obra que pro­cu­ra re­ve­lar um pou­co da Ar­mê­nia, país pró­xi­mo à fron­tei­ra en­tre Eu­ro­pa e Ásia, vi­zi­nho da Tur­quia e da Geór­gia, por exem­plo. Seus con­tras­tes, os cos­tu­mes de seu po­vo, as di­fe­ren­ças das ve­lhas pa­ra as no­vas ge­ra­ções e, aci­ma de tu­do, sen­ti­men­tos tão pro­fun­dos que atra­ves­sam sé­cu­los e sé­cu­los. Pre­fi­ro ver um fil­me as­sim a um mon­te de bom­ba ex­plo­din­do no meio da rua e pes­so­as cor­ren­do pra lá e pra cá. E a ce­na fi­nal é de uma emo­ção ím­par.

Por úl­ti­mo, “Co­ra­ção Lou­co” (lan­ça­men­to fres­qui­nho nas lo­ca­do­ras). Di­re­ção: Scott Co­o­per. Tam­bém é um fil­me fra­co. Mas a in­ter­pre­ta­ção que deu o Os­car de me­lhor ator a Jeff Brid­ges com­pen­sa tu­do. Jeff Brid­ges, que aliás es­tá ca­da vez mais pa­re­ci­do com o Nick Nol­te, é um can­tor coun­try em fran­ca de­ca­dên­cia. Mas põe de­ca­dên­cia nis­so. Tem uma ho­ra que ele sim­ples­men­te pa­ra um show pa­ra vo­mi­tar (ahahahhahaha). É um dos meus ato­res pre­fe­ri­dos e ga­nhou o Os­car me­re­ci­da­men­te. Seu tra­ba­lho no fil­me é gran­di­o­so.

Um bom fil­me pa­ra ver to­man­do uma do­se de uís­que pa­ra re­la­xar e cur­tir sem gran­des ex­pec­ta­ti­vas. Mas aten­ção: be­ba com mo­de­ra­ção (Bad Bla­ke, o tal can­tor, que o di­ga!).

Ve­ja abai­xo trai­ler de “Co­ra­ção Lou­co”.

http://www.youtube.com/watch?v=XO0ZaoShkBM

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