Impressões

Futebol e televisão

quinta-feira, 6 de maio de 2010 Texto de

Fu­te­bol 1

Qual será a maior vi­bra­ção no fu­te­bol: quando seu time ga­nha ou quando seu maior ri­val perde? Pa­rece sim­ples res­pon­der que, claro, quando seu time ga­nha. Mas será? Será que lá no fundo, ao ver a de­si­lu­são do “ini­migo”, nossa por­ção sá­dica não aflora de modo a sobrepor-se à ale­gria da vi­tó­ria? É uma ques­tão a se pen­sar. Hoje, quinta-feira, vejo pal­mei­ren­ses eu­fó­ri­cos, mesmo es­tando eles tam­bém eli­mi­na­dos (em­bora de uma com­pe­ti­ção me­nos im­por­tante do que a Li­ber­ta­do­res – grande pro­jeto do Co­rinthi­ans para seu cen­te­ná­rio). São-paulinos, que con­ti­nuam na mesma Li­ber­ta­do­res, es­tão vi­brando mais ainda. No edi­fí­cio onde moro, ha­via um grupo de pal­mei­ren­ses e são-paulinos reu­nido para tor­cer para o Fla­mengo. Quando o jogo aca­bou, tive a im­pres­são de que o Bra­sil ti­nha sido cam­peão mun­dial, ta­ma­nha a eu­fo­ria dos arqui-rivais dos co­rin­ti­a­nos. De que­bra, nes­sas ho­ras tor­ci­das tam­bém arqui-rivais se unem. É a farra que só o fu­te­bol pro­move.

Fu­te­bol 2

O Co­rinthi­ans per­deu a grande chance de se clas­si­fi­car no pri­meiro tempo. O do­mí­nio foi de time grande con­tra time pe­queno. Foi um mas­sa­cre. Os 2 a 0 fo­ram pouco. O cas­tigo veio no se­gundo tempo, co­ro­ado pela de­fesa mo­nu­men­tal do go­leiro Bruno no fin­zi­nho. Esse, pra mim, foi o lance de­ci­sivo do jogo. 

Fu­te­bol 3

Na Copa do Bra­sil, o Pal­mei­ras mos­trou toda sua ine­fi­ci­ên­cia ao er­rar tan­tos pê­nal­tis. E não se trata de ine­fi­ci­ên­cia téc­nica em to­dos os ca­sos. No ge­ral, ocorre no time uma fla­grante falta de se­gu­rança. Nin­guém con­fia nos pró­prios pés. Fora isso, um clube como o Pal­mei­ras não pode ir ao Serra Dou­rada para jo­gar na re­tranca. Aqui o cas­tigo foi ou­tro. Foi me­re­cido.

Fu­te­bol 4

O San­tos con­ti­nua de bra­çada na mesma Copa do Bra­sil. Ven­ceu o Atlé­tico (MG) da ma­neira que bem en­ten­deu, como, aliás, já era es­pe­rado, ta­ma­nha a di­fe­rença na qua­li­dade dos dois ti­mes. Só que agora, Ro­bi­nho & cia. têm pela frente um time co­peiro, o Grê­mio, que co­nhece como nin­guém essa com­pe­ti­ção. Será, como di­zem os fu­te­bo­lis­tas, a “fi­nal an­te­ci­pada”.

Te­le­vi­são 1

Al­guém na Globo pre­cisa con­ver­sar com o Ca­sa­grande para que ele me­lhore a dic­ção e fale com mais calma na hora de co­men­tar os jo­gos. O Ca­são está atro­pe­lando muito as pa­la­vras.

Te­le­vi­são 2

En­quanto Globo, Ban­dei­ran­tes e os ca­nais de es­por­tes mos­tra­vam os mar­man­jos cor­rendo atrás da bola, a Rede TV pro­mo­via mais um da­que­les des­fi­les sen­su­ais no pro­grama da Lu­ci­ana Gi­me­nez. Lin­das mo­de­los de cor­pos es­cul­tu­rais mos­tra­vam uma co­le­ção não sei de quê. Os câ­me­ras ca­pri­cha­vam no en­qua­dra­mento – bun­das e tudo mais muito bem ex­plo­ra­dos. Mas adi­vi­nha o que o Ibope vai re­ve­lar? Não é in­crí­vel que o fu­te­bol con­siga su­pe­rar tudo o que mais atrai o ho­mem na vida? Sei que há vá­rios es­tu­dos nesse sen­tido, mas nunca é de­mais uma ad­mi­ra­ção di­ante desse fato que fa­ria Freud e Jung ba­te­rem ca­beça.

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