Impressões

Futebol bonito

domingo, 2 de maio de 2010 Texto de

San­tos x Santo An­dré foi uma das me­lho­res fi­nais de cam­pe­o­nato dos úl­ti­mos anos. Gols, ten­são, drama. To­dos os in­gre­di­en­tes para uma de­ci­são. Uma aná­lise fria do jogo in­dica, em mi­nha opi­nião, para um re­sul­tado in­justo.

As duas bo­las man­da­das na trave e o gol le­gí­timo que o juiz anu­lou mos­tram que o Santo An­dré me­re­cia a van­ta­gem de dois gols, que pre­ci­sava para le­van­tar o tí­tulo.

Mas, ainda se­guindo nessa “aná­lise fria”, nada mais justo do que o tí­tulo ter fi­cado com o San­tos. Foi, sem dú­vida, o me­lhor time do Pau­lis­tão, prin­ci­pal­mente por força de seu ata­que. Con­so­li­dou o apa­re­ci­mento de no­vos jo­vens cra­ques. Deu show. Jo­gou um fu­te­bol bo­nito etc etc etc.

Fa­zia me­ses que eu não via um jogo in­teiro. An­dei en­jo­ado de fu­te­bol (já es­crevi so­bre isso aqui mesmo). Mas neste do­mingo, por acaso, aca­bei acom­pa­nhando os no­venta mi­nu­tos. E lá pe­las tan­tas fiz um co­men­tá­rio com as pes­soas com quem vi a par­tida: eu disse que se o San­tos per­desse, vol­ta­ria a ve­lha la­dai­nha de que “fu­te­bol bo­nito não ga­nha jogo”. 

De todo modo, o pró­prio Santo An­dré tam­bém mos­trou du­rante o cam­pe­o­nato sua vo­ca­ção para o ata­que, para o fu­te­bol ale­gre. E isso fi­cou evi­dente nos dois jo­gos da fi­nal.

Num ano de Copa do Mundo, em que mais uma vez os tor­ce­do­res es­tão des­con­fi­a­dos da se­le­ção bra­si­leira, San­tos e Santo An­dré mos­tra­ram a Dunga que fu­te­bol bo­nito tam­bém ga­nha jogo. 

Amor

Eu vi um dia des­ses na capa de uma re­vista, ex­posta na boca do caixa de um su­per­mer­cado, que uma atriz (acho que a Ma­ri­ana Xi­me­nes) está pronta para um novo amor. Esse, aliás, era o tí­tulo prin­ci­pal. Fi­quei pen­sando, en­quanto pa­gava a conta, se é pos­sí­vel algo as­sim. Ou seja, al­guém se pre­pa­rar para um novo amor. 

O amor não “acon­tece”?

No jor­na­lismo, nós pro­cu­ra­mos se­pa­rar o “acon­tece” do “será re­a­li­zado”. Para nós, um jogo não acon­te­cerá, o jogo será re­a­li­zado. Já um aci­dente acon­tece. Ele não está pre­visto.

Tal­vez en­ges­sado em meus pa­râ­me­tros jor­na­lís­ti­cos, fi­quei ima­gi­nando coi­sas: o amor não “acon­tece”? Acho que sim. O amor não “será re­a­li­zado”. O amor, quem sabe, po­derá “acon­te­cer” em al­gum mo­mento. Não dá para pre­pa­rar o amor como se pre­para uma jo­gada de cra­que.

Por­tanto, como pode al­guém se pre­pa­rar para um novo amor, se um novo amor não pode ser “pla­ne­jado”?

Bem, tal­vez nes­tes dias bas­tante su­per­fi­ci­ais onde fo­mos nos me­ter haja lu­gar para um amor pla­ne­jado. Quem sou eu para ques­ti­o­nar as no­vas pos­si­bi­li­da­des dos no­vos tem­pos?

Para ter­mi­nar esta pu­nhe­ta­ção: não acre­dito em pla­ne­ja­mento para o amor por­que não há como pla­ne­jar o des­co­nhe­cido, não dá para pla­ne­jar o in­findo, o que não tem co­meço ou fim.

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