Impressões

Invictus

domingo, 11 de abril de 2010 Texto de

Fui ver. O filme não é ruim, mas fica longe dos tra­ba­lhos gran­di­o­sos de Clint Eastwood (como “Os im­per­doá­veis”, “So­bre me­ni­nos e lo­bos”, “Me­nina de ouro”, “Gran To­rino”). Mor­gan Fre­e­man vai bem como Nel­son Man­dela. Matt Da­mon tam­bém não está nada mal como o ca­pi­tão da se­le­ção de rúgbi da África do Sul. Mas falta aquele algo mais que o bri­lhante di­re­tor sem­pre nos en­trega em suas me­lho­res obras. 

Cu­ri­o­sa­mente, na mi­nha se­ção a pla­teia per­ma­ne­ceu em ab­so­luto si­lên­cio por mais de um mi­nuto após o tér­mino do filme. Tal­vez em­bri­a­gada pela be­leza das pa­la­vras do po­ema “In­vic­tus”, de Wil­liam Er­nest Hen­ley, po­eta in­glês que vi­veu en­tre 1849 e 1903: “Sou o se­nhor do meu des­tino: sou o ca­pi­tão da mi­nha alma”. Na voz ex­cep­ci­o­nal de Mor­gan Fre­e­man, fi­cou co­mo­vente.

Exem­plo

Um ho­mem que, em ra­zão de sua atu­a­ção po­lí­tica e de sua luta ar­mada con­tra a se­gre­ga­ção ra­cial, passa quase três dé­ca­das na pri­são sem se dei­xar ven­cer é tam­bém co­mo­vente. A his­tó­ria de re­sis­tên­cia de Man­dela me re­baixa à con­di­ção de pe­queno verme quando en­saio he­si­ta­ção di­ante das di­fi­cul­da­des ba­nais de meu co­ti­di­ano.

As ge­ra­ções atu­ais e as fu­tu­ras pre­ci­sam ter em mente exem­plos como esse. É algo muito maior do que as pro­vas de re­sis­tên­cia de um re­a­lity show qual­quer, cuja re­per­cus­são nos pinta num de­sa­gra­dá­vel qua­dro de exa­ge­ros fú­teis e gro­tesca su­per­fi­ci­a­li­dade.

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