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Frágill

terça-feira, 7 de abril de 2009 Texto de

Che­ga­ram fe­li­zes, pas­se­a­ram o dia in­teiro. O ca­sal via a tevê e na­mo­rava ao mesmo tempo. Os fi­lhos brin­ca­vam no com­pu­ta­dor. A mu­lher re­solve fa­zer um lan­che. Na brin­ca­deira um dos ga­ro­tos su­jou a ca­misa do pai. O ho­mem avança no pes­coço do ga­roto, o ou­tro co­meça a cho­rar, leva um sa­fa­não e cai da ca­deira; a mãe se­gura o ma­rido que a em­purra con­tra o ar­má­rio da co­zi­nha, gri­tos, la­ti­dos de ca­chorro; o ou­tro ga­roto foge para o quarto; a mãe pega uma faca e crava nas cos­tas do ho­mem, a po­lí­cia chega; es­pe­ci­a­lis­tas são en­tre­vis­ta­dos para sa­ber os mo­ti­vos da vi­o­lên­cia do­més­tica, to­dos fa­lam do acon­te­cido; o au­tor de no­ve­las se ins­pira no fato para in­cre­men­tar sua obra; no si­lên­cio a ten­ta­tiva de ci­ca­tri­zar as fe­ri­das não ex­pos­tas.

E-mail: dudu.oliva@uol.com.br

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