Prisioneiros do Brasil | Márcio ABC

Crônicas

Prisioneiros do Brasil

terça-feira, 16 de dezembro de 2008 Texto de

Quan­do as tou­cas co­bri­am a ca­be­ça, era só o frio, o do­ce frio dos tró­pi­cos, cons­tran­gi­do e pe­din­do li­cen­ça pa­ra agir em cam­pos tão fe­bris.

As ar­mas, mes­mo sob seu es­tig­ma de in­sen­sa­tez, res­va­la­vam na pu­re­za con­tes­ta­da de uma ca­ça em noi­tes de lu­ar.

A mor­te, co­mo sem­pre tris­te, dei­xa­va o san­gue aos pou­cos apla­car, den­tro de su­as vei­as ve­lhas ami­gas, a quen­tu­ra da vi­da.

Na­da é co­mo sem­pre. A me­ta­mor­fo­se do­bra mes­mo a mais fun­da có­le­ra.

A an­gús­tia, por exem­plo, ba­te for­te co­mo nun­ca se viu nu­ma ter­ra que é es­ta mes­mo, on­de im­pe­ra a im­po­tên­cia di­an­te da vi­o­lên­cia.

A po­pu­la­ção, ca­da vez mais pre­sa às su­as pró­pri­as ca­sas por gra­des e cer­cas elé­tri­cas, cer­ce­a­da em seu le­gí­ti­mo di­rei­to de ir e vir, vê au­men­tar a dis­tân­cia da­que­le cla­rão no fim do tú­nel.

Não, fi­lhos de Bra­sil, não se­rá ama­nhã, tam­pou­co de­pois, que cai­rá so­bre vo­cês, so­bre nós, a ben­ção de nos­sas von­ta­des.

A pro­du­ção de cri­mi­no­sos es­tá di­an­te de nos­sos pas­sos e te­mos que, an­tes, su­pe­rar tal obs­tá­cu­lo.

En­quan­to não for as­sim, vi­ve­re­mos sob a dú­vi­da cru­el: quem, na re­a­li­da­de, é pri­si­o­nei­ro nes­te país?

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