Crônicas

Sotaque

domingo, 19 de outubro de 2008 Texto de

Meus ami­gos cai­pi­ras são tan­tos que nem sei. Os cai­pi­ras se atraem (rs). Pu­xa­mos a lín­gua para trás para pro­nun­ciar o “r” e coi­sas as­sim. Para di­zer a ver­dade, eu pro­curo me po­li­ciar quanto a esse de­ta­lhe, prin­ci­pal­mente quando falo na TV. São os pa­drões, fa­zer o quê? Mas não deixa de ser cu­ri­oso quando cer­tas ca­rac­te­rís­ti­cas são ne­ga­das com ve­e­mên­cia, como se fosse um crime ser meio as­sim um “bi­cho do mato”.

Co­nheço gente que de­pois de uma se­mana no Rio de Ja­neiro já está fa­lando como os ca­ri­o­cas. Tudo bem que às ve­zes até dá von­tade. Numa oca­sião, fui para a Bahia e quis vol­tar com aquele so­ta­que, mas não deu.
Os cai­pi­ras tam­bém têm mais di­fi­cul­da­des para dis­si­mu­lar. Certa vez um amigo le­vou um papo de ho­ras com uma me­nina do Le­blon. Fez mil ma­ra­cu­taias com a lín­gua para fa­lar como ela. E até que foi bem, não fosse a pa­la­vra fi­nal: tchau, “amorrr”.

É di­fí­cil ver um cai­pira com duas ca­ras, des­ses que ne­gam hoje o que dis­se­ram on­tem. Pode acre­di­tar: cai­pira até peca pela tei­mo­sia, mas é in­co­mum vê-lo le­var e tra­zer. Não dá para ouvi-lo di­zer que vo­tou no Kas­sab para um e na Marta para ou­tro. Se ele dis­ser é por­que já não é um cai­pira ori­gi­nal. Ele já deve es­tar que­rendo mu­dar o so­ta­que.

Compartilhe