Impressões

Sobre a morte em serviço de policial de 27 anos

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014 Texto de

Claro que eu não vou di­zer aqui “e agora, cadê o pes­soal que de­fende os di­rei­tos hu­ma­nos?”. Por­que o pes­soal que de­fende os di­rei­tos hu­ma­nos de­fende uma par­cela da po­pu­la­ção que a so­ci­e­dade mar­gi­na­li­zou, en­cur­ra­lou, dei­xou quase sem saída. De­fen­der os di­rei­tos hu­ma­nos, por­tanto, mais do que obri­ga­ção, é pra­ti­ca­mente um cer­ti­fi­cado, triste e ne­ces­sá­rio, de que ainda não dei­xa­mos es­ca­par com­ple­ta­mente o pouco de hu­ma­ni­dade que nos resta.

Mas é pre­ciso, sim, olhar com aten­ção para este epi­só­dio trá­gico e ad­mi­tir que um po­li­cial hoje vive em cons­tante es­tado de guerra, cer­ta­mente como ne­nhum ou­tro ci­da­dão.

Sim, é pre­ciso me­lho­rar a qua­li­dade do ser­viço po­li­cial.

Sim, a tru­cu­lên­cia e a falta de pre­paro de grande parte dos sol­da­dos co­la­bo­ram para ali­men­tar a pró­pria vi­o­lên­cia.

Mas o fato é que, as­sim como ci­da­dãos po­bres e mar­gi­na­li­za­dos, tam­bém os po­li­ci­ais es­tão sendo em­pur­ra­dos para o cor­re­dor da morte. 

A vi­o­lên­cia dá mos­tras de sair com­ple­ta­mente do con­trole.

A im­pu­ni­dade, o crime or­ga­ni­zado e um sis­tema fa­lido de se­gu­rança que pre­cisa ser re­es­tru­tu­rado com ur­gên­cia sus­ten­tam um grande cur­ral bra­si­leiro onde o ci­da­dão é mar­cado e morto como num aba­te­douro san­gui­ná­rio.

Re­por­ta­gem so­bre o as­sunto no Jor­nal da Ci­dade (Bauru): cli­que aqui

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