Crônicas

O jornalismo como ele era

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014 Texto de

A mesa es­tava cheia de pa­péis.

Em torno dela dis­cu­tía­mos pau­tas e… a me­lhor so­lu­ção para o mundo.

Nes­sas oca­siões sem­pre ha­via pro­gres­sis­tas, re­tró­gra­dos, es­quer­dis­tas, di­rei­tis­tas.

Às ve­zes o tom su­bia, as ideias de­sem­bes­ta­vam, a boca es­quen­tava.

De­pois, to­dos se acal­ma­vam.

Isso não re­solve nada, di­zia al­guém.

O mais im­por­tante era o me­lhor en­ca­mi­nha­mento da pauta.

As ide­o­lo­gias, bem… as ide­o­lo­gias es­ta­riam sem­pre ali, pre­sen­tes, dis­cu­ti­das, de­fen­di­das, opri­mi­das…

Não ha­via te­le­fo­nes ce­lu­la­res para con­ver­sar. Con­ver­sá­va­mos en­tre nós, mesmo.

E de mi­nu­tos em mi­nu­tos, sob o si­lên­cio e a ex­pec­ta­tiva dos de­mais, um de nós vol­tava a er­guer a voz para di­tar o rumo das coi­sas:

– Che­fia, desce mais duas ge­la­das pra gente. 

A mesa es­tava cheia de pa­péis. De vez em quando, o gar­çom re­co­lhia tudo. 

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