Crônicas

A primeira Teta ninguém esquece

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014 Texto de

A pri­meira Teta que vi, claro, foi a da mi­nha mãe. Aliás, fo­ram as pri­mei­ras te­tas. Por­que, afi­nal, elas são duas. Mas eu não me re­cordo de­las, em­bora eu te­nha ma­mado até 4 anos de idade (eu sei, um ab­surdo!) e mi­nhas lem­bran­ças te­nham ori­gem bem an­tes disso – aos 2 anos.

Cu­ri­o­sa­mente, na­quela época pro­nun­ciar “teta” era quase di­zer um pa­la­vrão. E pen­sando bem até hoje ela é pouco usual (digo a pa­la­vra), mesmo sendo an­tes de mais nada nossa pri­meira fonte de ali­mento.

Mas uma coisa é certa: sua pre­sença en­tre nós, sob o ponto de vista das re­fe­rên­cias psi­cos­se­xu­ais (existe?), é de uma com­ple­xi­dade mag­ní­fica. Tal­vez a única coisa ca­paz de derrotá-la nesse as­pecto seja o pê­nis. Aliás, o Pinto (para aqui igua­lar a ter­mi­no­lo­gia ao mesmo pa­ta­mar de Teta).

E mesmo as­sim por­que esse ser mi­to­ló­gico (o Pinto) é ob­jeto de nu­me­ro­sos es­tu­dos da psi­ca­ná­lise e afins, en­quanto a Teta acaba, por mo­ti­vos ób­vios, sendo de certa ma­neira pre­ser­vada no sen­tido de que ela é como uma de­li­ci­osa rai­nha: nos­sas fan­ta­sias fi­cam es­con­di­das sob o res­peito que de­ve­mos a ela.

A pri­meira vez (que eu me lem­bre) que vi uma – aliás, duas – foi no meio de um ca­fe­zal. Era uma moça de pele mo­rena, tal­vez uma ado­les­cente. Ela es­tava tra­ba­lhando na roça e, sem per­ce­ber que ha­via al­guém olhando, er­gueu a ca­misa e livrou-se do su­tiã (que de­via es­tar in­co­mo­dando).

Eu era um ga­roto que fa­zia pouco ti­nha aca­bado de ser des­ma­mado. Tam­bém não sei mais o que senti. Mas uma coisa fi­cou pra sem­pre na mi­nha ca­beça: inex­pli­ca­vel­mente, um beija-flor a son­dou bem de perto, acho até que o pe­queno bico do pás­saro atre­vido aproximou-se tanto tanto de um de seus ma­mi­los bem es­cu­ros que a fez se ar­re­piar e pro­te­ger as te­tas com as mãos en­quanto ves­tia de novo a ca­misa lis­trada sob um sol de las­car.

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