Crônicas

Bate-papo

terça-feira, 22 de outubro de 2013 Texto de

Pela in­ter­net é tão mais fá­cil. Digo tudo a você sem bar­rei­ras. Mas aqui? Frente a frente? Que sa­cri­fí­cio, meu Deus! E olha que isto é ape­nas um pen­sa­mento. Nada mais. 

Ainda não co­me­cei a fa­lar, a jo­gar so­bre a mesa os ter­mos do meu peito. Es­tou ape­nas tro­cando in­for­ma­ções va­gas e re­dun­dan­tes com o gar­çom.

Olho para o car­dá­pio e dis­farço mil dú­vi­das para o tempo pas­sar. Com você, fo­ram ape­nas três ou qua­tro pa­la­vras an­tes de nos sen­tar­mos. Mais cinco ou seis, de­pois. Quase agarro o gar­çom pelo braço quando ele co­meça a se afas­tar com nos­sos pe­di­dos, uma cer­ve­ji­nha para mim e um drin­que para você. Mas, afi­nal, era ine­vi­tá­vel que ele nos dei­xasse.

Sim, eu a en­caro com um sor­riso pos­tiço que você de­volve na mesma mo­eda. Gos­toso aqui, né? É sim. Mas não está gos­toso. Está ca­lor. Es­tou des­con­for­tá­vel. Não sei como me ex­pres­sar. Você não ajuda. 

Tal­vez não seja nada da­quilo, essa é a ver­dade. Tal­vez te­nha sido um ter­rí­vel en­gano. Você agora me pa­rece meio chata com esse ar blasé, isso sim. 

O ce­lu­lar, ador­me­cido no canto da mesa ao lado do porta-guardanapos, salta para mi­nha mão. Sem dis­si­mu­lar, quase ao mesmo tempo, você apa­nha o seu den­tro da bolsa. En­fim, é a nossa sal­va­ção.

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