Impressões

O trabalho e os homens

domingo, 20 de outubro de 2013 Texto de

A úl­tima vez que eu o vi foi na cal­çada de uma ave­nida. Car­re­gava seu co­mér­cio am­bu­lante. De cha­péu e man­gas lon­gas para se pro­te­ger do sol.

Uns dias an­tes, ca­su­al­mente, es­tava à mi­nha frente na fila do caixa de certo es­ta­be­le­ci­mento. Quando che­gou mi­nha vez, o ra­pa­zi­nho do caixa des­pe­jou em tom de re­pulsa “Nossa, por que essa gente não toma ba­nho? Que cheiro! Deu von­tade de vo­mi­tar”.

Eu lem­bro va­ga­mente do cheiro do meu pai quando ele vol­tava da roça. Era um va­por pe­sado de suor bruto ob­tido nos pés de café e na po­eira, ao sol. 

Te­nho res­peito pelo am­bu­lante su­ado de sua luta. E pena do ra­pa­zi­nho en­go­mado e fresco sob o ar con­di­ci­o­nado.

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