Contos

Minicontos sem ter um porquê

sábado, 14 de setembro de 2013 Texto de

O fi­lho dis­tante
Às ve­zes, vinha-lhe à ca­beça a hi­pó­tese as­sus­ta­dora de que ao fi­car ve­lho, inú­til e, quem sabe, pa­ra­lí­tico, não ha­ve­ria um fi­lho para barbeá-lo. Ou agora mesmo, um pai que se pre­o­cu­passe com seu pa­ra­deiro.

No fim
Dona Zozó não ti­nha pa­ci­ên­cia para no­ve­las na te­le­vi­são. Que­ria que as coi­sas se de­sen­ro­las­sem logo! Por isso, pre­fe­ria não as­sis­tir e pronto. Mas fi­cava puta da vida se não avi­sas­sem que hoje se­ria o úl­timo ca­pí­tulo. Não re­sis­tia àquela ten­ta­ção de ver tudo dar certo para po­der cho­rar com ale­gria.

Aquele ve­lho
Perto das ár­vo­res gran­des. Tre­zen­tos me­tros an­tes da fron­teira do po­ente. Sam­sung, di­ziam. Não a mul­ti­na­ci­o­nal de tec­no­lo­gia da in­for­ma­ção. Tal­vez Sam­sung uma va­ri­a­ção de sem sunga, sem­sunga, sem­sung, sam­sung no so­ta­que de­les. Sam­sung vi­via nu. E ti­nha as gen­gi­vas tão ruins que pas­sou a vida in­teira sem sor­rir. Até que, já de­bi­li­tado, aban­do­nado, sem mais nin­guém, entregou-se a um pra­zer des­co­nhe­cido qua­tro se­gun­dos an­tes de mor­rer: sor­riu com a boca es­can­ca­rada até sen­tir o vento varrer-lhe a ti­mi­dez. Até hoje, perto das ár­vo­res gran­des, o sol se põe fe­liz. Por res­peito ao ve­lho.

Palavras-chave

Compartilhe