Crônicas

A vigília de seus olhos

segunda-feira, 5 de setembro de 2011 Texto de

Quando há al­gum tempo eu os vi, os olhos, eram como duas gran­des bo­las trans­lú­ci­das confundindo-se com as ár­vo­res da praça que eu con­tor­nava.
À me­dida que eu ca­mi­nhava, ven­cendo es­fe­ri­ca­mente o con­torno da praça, eles tam­bém a cir­cun­da­vam, posicionando-se sem­pre no meu flanco.
No iní­cio, apavorei-me e agi equi­vo­ca­da­mente. Mas de­pois, com o pas­sar do tempo, eu os com­pre­endi.
De­les, não ema­nava qual­quer aura que me cau­sasse uma sen­sa­ção de medo ou algo pa­re­cido. Eles ape­nas es­ta­vam lá.
À sua vi­gí­lia, sobrevinha-me, isto sim, um sen­ti­mento de se­gu­rança que se en­tre­la­çava a uma es­tra­nha sa­tis­fa­ção.
Você já os viu?
Quando acon­te­cer, não vá se en­tre­gar ao pa­vor, a uma fuga sem sen­tido. Por­que não adi­an­tará.
Você deve ape­nas servir-se de­les de modo a se­guir seu ca­mi­nho sem que isso os deixe tris­tes.
Por­que suas lá­gri­mas ar­dem na pele quando nos to­cam. Eu as senti nos pri­mei­ros tem­pos, quando me apa­vo­rava.
Hoje, não. Quando às ve­zes de­moro para vislumbrá-los, aí sim uma ideia de pa­vor vai aos pou­cos to­mando forma em meu ín­timo, até que eu sinta sua pre­sença no­va­mente, acom­pa­nhando meus pas­sos, serenando-me, assegurando-me da di­re­ção cor­reta.
Você pre­cisa ape­nas aceitá-los. São seus olhos, aque­les lá.

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