Impressões

Bem-vindo, cinema!

domingo, 15 de agosto de 2010 Texto de


Não sei por que, penso muito em pes­soas que não veem fil­mes re­gu­lar­mente. Como é que se pode vi­ver sem ci­nema? Eu me lem­bro que na mi­nha in­fân­cia ir ao ci­nema não era tão sim­ples. Mas quando acon­te­cia, era algo in­crí­vel. Não im­por­tava tanto o filme. En­trar na­quele lu­gar onde uma tela gi­gante en­go­lia seus pen­sa­men­tos va­lia a pena de todo jeito. 

Claro que é quase um exa­gero. Mas o ci­nema é má­gico, eis uma ver­dade e, por fa­vor, não me con­tes­tem. Fil­mes re­ju­ve­nes­cem. Re­vi­go­ram. Rein­te­gram.

O filme Bem-Vindo, obra fran­cesa di­ri­gida por Phi­lippe Li­o­ret, é uma boa ilus­tra­ção do que o ci­nema con­se­gue fa­zer com sim­pli­ci­dade, sem gran­des apa­ra­tos, des­pido dos tão co­men­ta­dos efei­tos es­pe­ci­ais que en­can­tam e lu­di­briam.

A his­tó­ria, que in­clui o drama da imi­gra­ção ile­gal na França, junta uma pai­xão des­truída pelo di­vór­cio a uma pai­xão ali­men­tada pelo so­nho que torna tudo atin­gí­vel. Um ira­qui­ano do Cur­dis­tão entrega-se a uma in­crí­vel aven­tura em busca de seu grande amor. Só que o Ca­nal da Man­cha os se­para. E ele quer atra­ves­sar o len­dá­rio pe­daço de mar a nado. 

A sen­si­bi­li­dade com que o filme avança é algo to­cante. Para quem não faz ques­tão de um monte de es­ti­lha­ços ex­plo­dindo no quin­tal, é uma boa pe­dida.

Pre­ci­osa

Vi tam­bém “Pre­ci­osa – uma his­tó­ria de es­pe­rança”, que ven­ceu o Os­car de atriz co­ad­ju­vante (Mo’Nique, es­pe­ta­cu­lar!) e me­lhor ro­teiro adap­tado e teve ou­tras qua­tro in­di­ca­ções, in­cluindo me­lhor filme, além de ter con­quis­tado vá­rios prê­mios im­por­tan­tes.

É um filme digno de Os­car, sem dú­vida. Ou tal­vez não. Por­que o Os­car nem sem­pre vai para o me­lhor. Aliás, con­si­de­rar um só filme como me­lhor é algo, para mim, im­pon­de­rá­vel. Não dá. Ponto fi­nal. Mas, no fim, é pre­ciso es­co­lher al­gum. E os norte-americanos ado­ram um filme de guerra. Tudo bem, eu tam­bém gosto. Qual­quer dia es­crevo so­bre esse as­sunto. Mas hoje quero di­zer que “Pre­ci­osa” é me­lhor do que “Guerra ao ter­ror”.

Bom, claro, ci­nema é isso. Para quem se deixa le­var por aquilo que sente, como eu, não im­por­tam muito as ques­tões téc­ni­cas. Não ava­lio meus fil­mes sob a ri­gi­dez de cri­té­rios que nem bem co­nheço. É o que sem­pre digo: gosto por isso, não gosto por aquilo. E pra mim basta. 

No caso de “Pre­ci­osa”, a su­pe­ra­ção e a cru­eza es­tam­pa­das no filme dei­xam na po­eira qual­quer cri­té­rio téc­nico. E vou além: tam­bém vi “Guerra ao ter­ror”, mas pa­rei no meio. É de uma cha­tice bru­tal. Se você quer fa­zer do­cu­men­tá­rio, faça do­cu­men­tá­rio. Se você quer fa­zer fic­ção, faça fic­ção. Ok, quer mis­tu­rar? Mis­ture, mas avise. Sei lá como. Mas não dá para ti­rar filme de fic­ção que pa­rece do­cu­men­tá­rio. Pra mim, não cola. Não dis­cuto com quem gos­tou de “Guerra ao ter­ror”. Pode até ser um bom filme, mas achei, re­pito, muito chato. 

De­pois de ver “Bem-Vindo” e “Pre­ci­osa”, des­li­guei o apa­re­lho de DVD e fui to­mar a úl­tima taça de vi­nho vendo TV. E nisso, es­tava pas­sando “Ra­zão e sen­si­bi­li­dade”, que a exem­plo de “Pre­ci­osa” tam­bém é ba­se­ado em li­vro. E a exem­plo de “Pre­ci­osa” tam­bém é ex­ce­lente.

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