Impressões

A lua, o espaço e o pudim

sexta-feira, 13 de agosto de 2010 Texto de

Por que o ho­mem não in­venta um pu­dim de leite con­den­sado que eu possa co­mer in­teiro (um da­que­les pra­tos re­don­dos gran­des) sem que isso me faça en­gor­dar? In­cluindo, claro, a calda cre­mosa. Se­ria mais pra­ze­roso do que sa­ber que al­guém foi à lua, por exem­plo. E acho que mais apro­vei­tá­vel.

O ho­mem faz coi­sas gran­di­o­sas, mas de muito pouco in­te­resse. De ver­dade, tirando-se o or­gu­lho das gran­des po­tên­cias, qual a con­sequên­cia po­si­tiva das vi­a­gens es­pa­ci­ais para os re­les mor­tais, en­tre os quais es­tou in­cluído?

Sim, sim, as pes­qui­sas que dão à ci­ên­cia in­con­tá­veis avan­ços é uma boa res­posta. Mas sa­ber que os ca­ras fo­ram à lua ou a Marte é mais im­por­tante do que se sen­tar à beira de um lago, um rio ou um mar e pen­sar que a ci­ên­cia cura pos­sí­veis do­en­ças va­ga­bun­das que po­de­mos pe­gar ali, com nos­sos pés afun­da­dos na areia ou pou­sa­dos na grama?

Um dos nos­sos gran­des ma­les, e aqui tam­bém es­tão in­cluí­dos os re­les mor­tais, é pen­sar em con­quis­tas gran­di­o­sas e es­que­cer as pe­que­nas coi­sas ca­pa­zes de nos fa­zer fe­li­zes, como co­mer pu­dim de leite con­den­sado li­vre de pre­o­cu­pa­ções.

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