Impressões

Honra e consciência

terça-feira, 6 de julho de 2010 Texto de

Honra uru­guaia

Se hou­vesse a pos­si­bi­li­dade de al­guém cair em pé, como mui­tas ve­zes se disse a res­peito de quem perde com honra, este al­guém, hoje, te­ria sido o Uru­guai.

Sem a me­lhor téc­nica, que é da Ho­landa, que era fa­vo­rita na semi, que não será fa­vo­rita na fi­nal qual­quer que seja seu ad­ver­sá­rio, os uru­guaios hon­ra­ram a ca­misa. Hon­ra­ram a Amé­rica do Sul. E po­de­riam até ter ven­cido. Quase vi­rou o jogo e, na vi­rada ho­lan­desa, houve gol ir­re­gu­lar.

En­fim, como os uru­guaios, es­tou sa­tis­feito com a ve­lha ce­leste olím­pica. Como deve ser bom es­tar sa­tis­feito com sua se­le­ção!

Cons­ci­ên­cia, avante!

Para o Bra­sil, a Copa aca­bou. Para quem gosta de fu­te­bol, só acaba mesmo do­mingo. De­pois, da mesma ma­neira que a na­ção se reu­niu para tor­cer, da mesma ma­neira que a na­ção so­nhou, se­ria bom a na­ção agir. 

Copa do Mundo é uma grande festa do es­porte mun­dial. E, no fundo, uma grande festa cí­vica. Ve­jam a mo­bi­li­za­ção das po­pu­la­ções dos paí­ses par­ti­ci­pan­tes. É algo to­cante. Como já es­crevi aqui, ao me­nos no Bra­sil não há nada pa­re­cido. E as­sim tam­bém é em vá­rios ou­tros paí­ses.

O caso é que a Copa acaba e a vida se­gue. A in­ter­fe­rên­cia da Copa em nos­sas vi­das é ape­nas mo­men­tâ­nea. Causa frus­tra­ção ou ale­gria. E, in­de­pen­den­te­mente de um ou ou­tro es­tado de es­pí­rito, va­mos adi­ante.

O mesmo não se pode di­zer das elei­ções. Já dis­se­ram mui­tas ve­zes: como se­ria bom se o bra­si­leiro desse às elei­ções a mesma aten­ção que dá à Copa. Com toda a cer­teza, a po­lí­tica na­ci­o­nal es­ta­ria me­lhor. As­sim como o fu­te­bol está.

A se­le­ção bra­si­leira era tida, até me­a­dos do sé­culo pas­sado, como dona da sín­drome do ca­chorro vira-lata. Abai­xava a ca­beça di­ante de sua “re­les in­sig­ni­fi­cân­cia”. Ama­re­lava li­te­ral­mente. Mas, afi­nal, es­ta­mos no país do fu­te­bol. E as­sim a pres­são po­pu­lar, as pre­o­cu­pa­ções com a ne­ces­si­dade de se me­lho­rar nosso fu­te­bol, as ações para me­lho­rar nosso fu­te­bol, tudo isso sur­tiu efeito. Em 52 anos (de 1958 a 2010), o Bra­sil le­van­tou cinco ta­ças. Ini­gua­lá­vel!

Já a po­lí­tica fi­cou para trás. É, em sín­tese, é na es­sên­cia, a mesma po­lí­tica do sé­culo pas­sado. Mo­der­ni­zada, é ver­dade. Mo­der­ni­za­ram o modo de lu­di­briar a po­pu­la­ção.

Mas, ver­dade doída esta, so­mos nós, nós po­pu­la­ção, os ver­da­dei­ros cul­pa­dos. Por que não da­mos às elei­ções a mesma aten­ção que da­mos à Copa? Por que não olha­mos para a urna ele­trô­nica como olha­mos para uma bola de fu­te­bol?

É hora de um novo jogo. O jogo da cons­ci­ên­cia.

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