Impressões

Prazo vencido

terça-feira, 18 de maio de 2010 Texto de

Al­guns in­ter­nau­tas e tam­bém co­le­gas que de vez em quan­do dão uma olha­da nes­te es­pa­ço me per­gun­tam por que eu não fa­ço tam­bém aqui (a exem­plo do que fa­ço na te­le­vi­são) mais co­men­tá­ri­os so­bre po­lí­ti­ca.

Bom, a pri­mei­ra res­pos­ta é que não é bem es­sa a fi­na­li­da­de des­te blog. Mi­nha in­ten­ção é fa­lar de jor­na­lis­mo, li­te­ra­tu­ra, um pou­co de ci­ne­ma, um pou­co de tu­do, às ve­zes tam­bém de po­lí­ti­ca.

Fran­ca­men­te, o fa­to é que a po­lí­ti­ca tem si­do tão ras­tei­ra nos úl­ti­mos anos (vá lá, acho que sem­pre) que as crí­ti­cas mui­tas ve­zes ca­em no va­zio. É cu­ri­o­so pen­sar nes­ses mol­des, tal­vez en­car­di­dos de re­sig­na­ção, mas o ci­da­dão se acos­tu­mou a pen­sar e acei­tar a po­lí­ti­ca co­mo al­go su­jo.

Quan­do ve­jo na TV fi­gu­ras co­mo Ma­luf e Quér­cia, que já se me­te­ram em tan­tas de­nún­ci­as, uma es­pé­cie de fa­di­ga me to­ma com­ple­ta­men­te o es­pí­ri­to. Pre­ci­so vas­cu­lhar fun­do meus sen­ti­dos pa­ra que de­les aflo­re, ain­da vi­go­ro­sa, mi­nha ca­pa­ci­da­de de in­dig­na­ção.

Di­go Ma­luf e Quér­cia, mas há ou­tros que, do mes­mo mo­do, de­ve­ri­am acei­tar o fa­to de que seu pra­zo de va­li­da­de es­tá ven­ci­do. Se não nas ur­nas (em que uma das ca­rac­te­rís­ti­cas é en­cer­rar a ve­lha “cai­xi­nha de sur­pre­sas”), ao me­nos nas idei­as e nos dis­cur­sos. Sim, o pra­zo des­sa gen­te ven­ceu. E não é de ago­ra.

Em ação

E já que a po­lí­ti­ca en­trou na pau­ta, meu prog­nós­ti­co pa­ra a elei­ção pre­si­den­ci­al des­te ano é que te­re­mos uma das dis­pu­tas mais acir­ra­das da his­tó­ria. Já es­tá cla­ro que Lu­la é ca­paz de trans­fe­rir vo­tos pa­ra Dil­ma. Do ou­tro la­do, Ser­ra mos­tra-se um dos gran­des ad­mi­nis­tra­do­res das úl­ti­mas dé­ca­das. O em­ba­te, sem dú­vi­da, se­rá en­tre Ser­ra e Lu­la. Só com o pró­prio no­me, Dil­ma per­de­ria pa­ra Ma­ri­na. Fá­cil, fá­cil.

Lu­la, der­ro­ta­do em vá­ri­as elei­ções (acho que só o Ma­luf per­deu mais que ele), con­se­guiu o que em 1980, quan­do o PT foi fun­da­do, se­ria im­pen­sá­vel. Não, não fa­lo da pre­si­dên­cia da Re­pú­bli­ca. Is­so, cla­ro, po­de­ria ser pen­sá­vel. O que não da­va pa­ra pre­ver é que sua fi­gu­ra atin­gis­se a in­crí­vel po­pu­la­ri­da­de de ho­je e que sua ca­pa­ci­da­de di­plo­má­ti­ca fos­se tão lon­ge, si­tu­an­do-se en­tre os es­ta­dis­tas mais ca­ris­má­ti­cos e im­por­tan­tes da his­tó­ria.

Es­se se­rá o gran­de en­tra­ve pa­ra Ser­ra. Não é Dil­ma sua ad­ver­sá­ria. Sua ad­ver­sá­ria é a au­ra mí­ti­ca sob a qual or­bi­ta o ex-pau-de-ara­ra do ser­tão nor­des­ti­no.

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