Crônicas

Íntimo e ilimitado

quarta-feira, 24 de março de 2010 Texto de

Ao an­dar pe­las ruas de São Paulo co­a­lha­das de gente, fico pen­sando em quan­tos so­nhos, frus­tra­ções, fe­li­ci­da­des, de­se­jos, amo­res e ódios, sen­sa­ções e sen­ti­men­tos, cir­cu­lam nes­tes ares tão plu­rais.

A mi­nha sen­sa­ção no meio dessa gente toda é de eter­ni­dade. Eter­ni­za­mos uma pre­sença mul­ti­forme como num tem­plo ecu­mê­nico er­guido em di­men­são inex­tinta. Com­po­mos um con­cí­lio onde a mis­tura de re­li­gi­o­sos e ím­pios nos torna mais hu­ma­nos.

Aqui, onde a grande ser­pente de os­sos e car­nes ras­teja em meio às pre­ces dos mo­to­res, constitui-se uma cu­ri­osa zom­ba­ria ao Deus oni­pre­sente. Aqui, não há quem es­teja em to­dos os lu­ga­res. Mas to­dos os lu­ga­res es­tão aqui. 

E as­sim, meu sen­ti­mento não é um só. São mui­tos. Dividem-se. Multiplicam-se. Con­fun­dem e ali­men­tam o que ainda resta de mim. 

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