Impressões

Equação

terça-feira, 23 de março de 2010 Texto de

No sá­bado, fa­lei com uni­ver­si­tá­rios do úl­timo ano de jor­na­lismo. Foi um papo de pouco mais de duas ho­ras. E uma per­gunta, feita por um de­les, é um tor­mento para qual­quer jor­na­lista: o que fa­zer quando uma no­tí­cia atinge ou vai con­tra os in­te­res­ses do pro­pri­e­tá­rio do veí­culo de co­mu­ni­ca­ção?

Mi­nha res­posta foi esta: acho que todo jor­na­lista deve ana­li­sar e sa­ber exa­ta­mente onde vai tra­ba­lhar. O dono do veí­culo deve ter ca­cife mo­ral su­fi­ci­ente para dar se­gu­rança ao pro­fis­si­o­nal do jor­na­lismo em seu co­ti­di­ano de apu­ra­ção da no­tí­cia. E se o jor­na­lista se sen­tir lu­di­bri­ado nessa re­la­ção, pre­cisa to­mar uma de­ci­são: ou pega o boné e vai pro­cu­rar ou­tro ter­reiro ou mete o rabo no meio das per­nas e vende a alma. 

Claro que nem tudo na vida é sim­ples para nos apre­sen­tar al­ter­na­ti­vas tão cla­ras como es­sas duas. O dono do veí­culo, as­sim como o pro­fis­si­o­nal, não é um robô. Não é uma en­ti­dade des­co­nhe­cida de cuja fonte emana uma ener­gia ab­so­luta e inequí­voca de ética e mo­ral. Dono de veí­culo e jor­na­lista são se­res hu­ma­nos pas­sí­veis de er­ros e de fra­que­zas.

Como eu disse hoje mesmo a um amigo, algo im­por­tante na vida é não pre­ci­sar­mos es­con­der opi­niões e in­for­ma­ções em nos­sas re­la­ções. É po­der­mos di­zer o que pen­sa­mos e con­tar a ver­dade que co­nhe­ce­mos. Se essa equa­ção se tor­nar di­fí­cil ou in­so­lú­vel, cabe a cada um ava­liar seus li­mi­tes.

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