Impressões

Desafio

sexta-feira, 19 de março de 2010 Texto de

As re­for­mas – grá­fi­cas ou edi­to­ri­ais – por que pas­sam cons­tan­te­mente os jor­nais transformaram-se num ex­tra­or­di­ná­rio de­sa­fio para aque­les que co­man­dam ou fa­zem parte das es­tra­té­gias des­ses veí­cu­los de co­mu­ni­ca­ção. Há al­guns anos, mu­dan­ças desse gê­nero eram es­cas­sas e quando ocor­riam, sal­ta­vam aos olhos dos lei­to­res. Hoje, a pró­pria in­qui­e­tude da so­ci­e­dade – cuja busca de­ses­pe­rada pelo novo al­te­rou com­ple­ta­mente o prazo de va­li­dade das for­mas – gera tam­bém no meio jor­na­lís­tico um de­sejo in­sa­ciá­vel de mu­dan­ças.

A “Fo­lha de S. Paulo” anun­cia para maio sua nova re­forma. O “Es­ta­dão” antecipou-se ao con­cor­rente e já está em plena re­forma. Ou­tros jor­nais tam­bém es­tão se pre­pa­rando para mu­dar. Mas o caso é que quase sem­pre são mu­dan­ças va­zias. Neste mo­mento em que a ca­pa­ci­dade de so­bre­vi­vên­cia do jor­nal im­presso está sendo exaus­ti­va­mente de­ba­tida, quando a pa­ra­fer­ná­lia tec­no­ló­gica ofe­rece uma vasta lista de op­ções para o su­jeito se in­for­mar, tal­vez fosse o caso de uma re­forma re­al­mente pro­funda.

Mas será que sa­be­mos quais são as fer­ra­men­tas e os ma­te­ri­ais ade­qua­dos para le­var a cabo tal re­forma? Acho que ainda não. Não vejo como fa­zer uma re­forma pro­funda numa época em que a so­ci­e­dade – e os lei­to­res de jor­nal im­presso fa­zem parte dessa mesma so­ci­e­dade – mostra-se tão ape­gada aos ca­be­los da su­per­fi­ci­a­li­dade. Este ci­clo de ino­va­ções tec­no­ló­gi­cas que tres­passa a hu­ma­ni­dade impôs um ritmo ab­sur­da­mente ve­loz aos nos­sos pe­que­nos pas­sos e criou uma nova di­men­são de tempo. Tudo o que é re­for­mado hoje, torna-se ve­lho ama­nhã.

Será pre­ciso es­ta­be­le­cer uma nova or­dem mun­dial – em que se torne na­tu­ral para o ho­mem esta nova ve­lo­ci­dade, em que seus pe­que­nos pas­sos se­jam no­va­mente sen­ti­dos em terra firme – para re­for­mar pro­fun­da­mente os jor­nais e a pró­pria so­ci­e­dade. Ou, quem sabe, de certo modo, para ex­ter­mi­nar a am­bos, ao me­nos da ma­neira como são co­nhe­ci­dos hoje, po­dendo configurar-se as­sim a ame­aça con­creta que nos fita há al­gum tempo: o re­cru­des­ci­mento de uma so­ci­e­dade frí­vola e de­sin­te­res­sada dos me­ca­nis­mos que po­dem co­la­bo­rar com sua evo­lu­ção.

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