Impressões

Era uma vez

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010 Texto de

Revi on­tem, em DVD, um dos fil­mes mais bri­lhan­tes da his­tó­ria do ci­nema: “Era uma vez no oeste”. É de 1969, di­ri­gido por Ser­gio Le­one. Ve­jam a im­por­tân­cia do ro­mano Ser­gio Le­one: en­tre ou­tras obras, ele foi diretor-assistente de “Ben-Hur” (1959), “Quo Va­dis” (1951) e “La­drões de bi­ci­cle­tas” (1948). Di­ri­giu “Era uma vez na Amé­rica” (1984), “Quando ex­plode a vin­gança” (1971), “Três ho­mens em con­flito” (1966) – fan­tás­tico, eu já as­sisti umas cinco ve­zes! – , “Por uns dó­la­res a mais” (1965), “Por um pu­nhado de dó­la­res” (1964) e, claro, “Era uma vez no oeste” (1968). O filme tem Henry Fonda, Clau­dia Car­di­nale, Char­les Bron­son (sim, ele mesmo! rs­sss) e Ja­son Ro­bards.

“Era uma vez…” não é ape­nas mais um fa­ro­este. É tam­bém uma re­fle­xão so­bre sen­ti­men­tos fun­dos que po­dem du­rar muito, ou até para sem­pre. É tam­bém um en­saio so­bre as trans­for­ma­ções que nos são pos­sí­veis e que mui­tas ve­zes se con­cre­ti­zam – para o bem ou para o mal. 

Mi­nha co­ta­ção: muito bom.

Ro­bi­nho

Se ele vol­tar ao Bra­sil, pro­va­vel­mente ao San­tos, será mais uma mos­tra do fosso fi­nan­ceiro que se­para nos­sos clu­bes e os da Eu­ropa, es­pe­ci­al­mente os da In­gla­terra. Está certo que isso está já bas­tante claro, até pe­las di­fe­ren­ças econô­mi­cas en­tre os paí­ses. Mas, se não me en­gano, nunca houve um epi­só­dio como esse. Os eu­ro­peus gas­ta­ram fá­bu­las para ter Ro­bi­nho e agora (ele tem só 26 anos!) sim­ples­mente per­mi­tem sua volta ao Bra­sil, como se tudo não pas­sasse de um dó­lar fu­rado.

Ve­lhi­nhos

Ainda so­bre fu­te­bol, é im­pres­si­o­nante como o peso da idade dos atle­tas va­riou. Ro­bi­nho tem 26 anos e pos­si­vel­mente há quem já o con­si­dere “ve­lhi­nho”! Hoje, os ga­ro­tos de 17 anos já es­tão com a ca­beça na Eu­ropa. Ou seja, no di­nheiro. Nem sem­pre, como já fi­cou pro­vado, trata-se do me­lhor ca­mi­nho.

Tal­vez possa ser feita aí uma re­la­ção ra­zoá­vel com o que ocorre nas uni­ver­si­da­des. A grande mai­o­ria de­las – acho que até pela pres­são dos no­vos pa­râ­me­tros da so­ci­e­dade – está pre­o­cu­pa­dís­sima em for­mar o es­tu­dante para o mer­cado de tra­ba­lho. E mui­tas são re­al­mente boas nisso. O re­sul­tado é dra­má­tico: o cara sai sa­bendo so­bre sua pro­fis­são, mas não tem a me­nor ideia so­bre o mundo, so­bre ele pró­prio. Sai sem uma for­ma­ção hu­ma­nís­tica que o faça um su­jeito sig­ni­fi­ca­tivo para seu am­bi­ente so­cial.

Os ga­ro­tos que vão para a Eu­ropa atrás do di­nheiro po­dem até se dar bem fi­nan­cei­ra­mente (em­bora a mai­o­ria fra­casse mui­tas ve­zes nas mãos de em­pre­sá­rios ines­cru­pu­lo­sos), mas cor­rem o risco de dei­xar ir­re­me­di­a­vel­mente per­dida num abismo sem fundo eta­pas fun­da­men­tais de sua for­ma­ção hu­mana.

Mas, tam­bém, quem está aí para isso?

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