Crônicas

Guerra e paz

domingo, 8 de Março de 2009 Texto de

Nel­son Ro­dri­gues di­zia que em vez de ler­mos mui­tos li­vros, de­ve­mos re­ler al­guns. Re­ler sem­pre. Já até es­cre­vi uma crô­ni­ca so­bre o te­ma. Dis­cor­do em al­guns as­pec­tos. Mas is­so não vem ao ca­so ago­ra. O fa­to é que saí à pro­cu­ra de uma edi­ção de “Guer­ra e paz” pa­ra re­ler. Não te­nho es­se li­vro em ca­sa. A obra, de Tols­tói, foi pu­bli­ca­da em me­a­dos da dé­ca­da de 1860. Eu a li quan­do es­ta­va na fa­cul­da­de. Já faz tem­po. Mas is­so tam­bém não vem ao ca­so ago­ra (rs­s­ss).

Co­mo eu di­zia, saí pa­ra com­prar uma edi­ção que me agra­das­se. En­tro na pri­mei­ra li­vra­ria, vou às pra­te­lei­ras (co­mo sem­pre gos­to de fa­zer, por fa­vor, sem ne­nhum aten­den­te no meu pé), pro­cu­ro, pro­cu­ro e na­da. En­tão, aí sim, di­ri­jo-me ao aten­den­te que eu ha­via dis­pen­sa­do ha­via pou­co. En­tão é a vez de­le pro­cu­rar. Na te­la do com­pu­ta­dor, apa­re­cem al­gu­mas edi­ções de “Guer­ra e paz” e ou­tros tí­tu­los acres­cen­ta­dos de ter­mos ti­pi­ca­men­te de au­to-aju­da. O “Guer­ra e paz” que eu que­ria não ti­nha.

Na se­gun­da lo­ja, ou­tra vez o mes­mo pro­ces­so. Pra­te­lei­ras e na­da. Com­pu­ta­dor e na­da. Aten­den­te: “eu pos­so es­tar fa­zen­do a re­ser­va”. Che­go à ter­cei­ra li­vra­ria. Tam­bém ali não en­con­tro “Guer­ra e paz”. Nel­son Ro­dri­gues não po­de­ria pre­ver ta­ma­nho des­ca­so com uma das mais im­por­tan­tes obras li­te­rá­ri­as de to­dos os tem­pos. Não pos­so acu­sar im­pru­den­te­men­te as li­vra­ri­as de ma­nei­ra ge­ral. Elas de­vem ter lá su­as ra­zões pa­ra, no lu­gar de Tols­tói, inun­dar as pra­te­lei­ras com o li­xão da au­to-aju­da. Fa­zer o quê? Mas tam­bém não dá pa­ra fi­car qui­e­to.

Só pe­ço mais res­pei­to aos gran­des tí­tu­los. Es­tes não po­dem fal­tar. Dei­xem ao me­nos uma ilha pa­ra quem pro­cu­ra li­te­ra­tu­ra de qua­li­da­de. Afas­tem-nos des­sa guer­ra. Dêem-nos a paz.

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