O porta-retratos tem uma vi­nheta ba­nhada a ouro so­bre ma­deira lisa. 21 x 14 cm. A fo­to­gra­fia co­lo­rida não en­gana: não era bo­nita nem feia, a mu­lher de testa pe­quena, so­bran­ce­lhas gros­sas, olhos di­fí­ceis de in­ter­pre­tar. Ti­nha ali uns trinta anos, mor­reu aos qua­renta e dois. Sor­ria e olhava para um ponto à es­querda e acima do fo­tó­grafo. Sou­besse que o re­trato, exa­ta­mente aquele re­trato, fi­ca­ria para sem­pre na es­tante da sala, te­ria sor­rido? Que ex­pres­são você fa­ria, sa­bendo que te ba­tem a foto de um morto? FLASH!, esse era você. “Era”, verbo no pre­té­rito, im­per­feito.

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