Impressões

Palavras inteiras; braço forte

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009 Texto de

Sem­pre tive di­fi­cul­da­des com sim­bo­lo­gias, men­sa­gens ci­fra­das, coi­sas su­bli­mi­na­res e por aí vai. Pra mim, o dito po­pu­lar “meia pa­la­vra basta” não serve. Eu gosto mesmo de pa­la­vras in­tei­ras, de men­sa­gens ex­plí­ci­tas, de cla­reza. Às ve­zes, chego a in­co­mo­dar com este meu ví­cio: “o que isto sig­ni­fica?”, “o que você quer di­zer?”

Tal­vez por isso, mi­nha pa­ci­ên­cia com po­lí­ti­cos ob­tu­sos está es­go­tada. Em pleno sé­culo 21, das co­mu­ni­ca­ções, das tec­no­lo­gias, das in­va­sões de pri­va­ci­dade, da di­ta­dura de tan­tos “Gran­des Ir­mãos” es­con­di­dos atrás de câ­me­ras de te­le­vi­são, de gram­pos te­lefô­ni­cos, de má­qui­nas fo­to­grá­fi­cas im­pla­cá­veis, de olha­res per­se­gui­do­res, em pleno sé­culo 21, ainda há pes­soas que ten­tam se es­con­der. E o pior: são ho­mens pú­bli­cos, que ja­mais de­ve­riam he­si­tar.

Meu pró­ximo voto vá­lido, que, in­fe­liz­mente, não sei mais quando da­rei, será em al­guém cu­jas ca­rac­te­rís­ti­cas dis­pen­sem es­con­de­ri­jos, he­si­ta­ções e meias pa­la­vras. Não dá mais para acei­tar cer­tas fra­que­zas ou, se qui­se­rem, fa­lhas de ca­rá­ter em hora er­rada. O su­jeito tem a vida in­teira para cair em ten­ta­ção. Quando está no po­der pú­blico, quando a co­mu­ni­dade de­pende dele, esse di­reito ex­pira. É quando ele pre­cisa ser forte. Ou, no mí­nimo, cair fora. 

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